Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 28/09/2021
Em diversos episódios da série “Glee”, evidencia-se a discriminação que Mercedes sofre dos colegas de escola por ser obesa. De maneira análoga, assim como a personagem, inúmeras pessoas que se tangenciam dos padrões de beleza contemporâneos — quase sempre associados à magreza — passam pelo mesmo tipo de situação calamitosa. Nesse sentido, em razão de uma educação deficitária e de uma má influência midiática, emerge um grave problema: a gordofobia no Brasil.
Diante desse cenário, vale destacar que a baixa qualidade do ensino nacional é algo que corrobora a presença de esteriótipos no imaginário social. Nesse viés, consoante o educador Paulo Freire, sem uma educação promissora, o intelecto coletivo não muda. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange aos diversos preconceitos enraizados nos brasileiros, nota-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses comunitários, uma vez que não aborda, de modo especial, esse conteúdo nas salas de aula — o que permite a perpetuação dos estigmas. Logo, enquanto o oferecimento de um ensino fraco for a regra, cidadãos livres de tabus e com alto nível de discernimento serão a exceção.
Ademais, é importante salientar que a ignorância coletiva — consequência da falta de senso crítico do povo — é fortificada por conteúdos tóxicos da grande mídia. Sob esse ângulo, conforme a poetisa Rupi Kaur, a representatividade é vital. À vista disso, ao se analisar o panorama das produções artísticas, apesar das leves transformações que vieram à tona na atualidade, há poucos anos, geralmente, a maioria dos personagens classificados como belos tinham quase sempre as mesmas características: loiros, pele clara, olhos claros e magros. Nesse contexto, uma padronização de beleza é originada, e quem não se encaixa nesses quesitos, por vezes, sofre preconceito, visto que, segundo dados do “Nature Medicine”, cerca de 40% dos adultos obesos já enfrentaram a gordofobia. Assim, é de suma importância que as produções de entretenimento tragam cada vez mais a representatividade.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação — regulador das práticas educacionais do país — desenvolva um projeto pedagógico, por meio da reformulação da grade escolar, na qual será adicionada uma nova matéria, que abordará os principais entraves do século XXI, como os diversos tipos de exclusão. Diante disso, tal proposta terá a finalidade de tornar as novas gerações cada vez mais engajadas na luta por igualdade. Por sua vez, a Agência Nacional do Cinema precisa criar uma oficina inclusiva, a qual deve levar ao público curtas metragens sobre a terrível experiência de ser discriminado, por intermédio da seleção de atores que já passaram por esse tipo de situação, a fim de levar informação produtiva à sociedade. Dessa forma, espera-se frear a gordofobia no Brasil.