Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 30/09/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito insofismável à saúde e ao bem-estar social. Contudo, ao analisar os altos índices de gordofobia, ou seja, aversão à gordura e pessoas acima do peso, vê-se que parte da população é impedida de desfrutar desse direito universal na prática. Isso gera segregação social, além afetar negativamente o emocional das vítimas. Quanto às causas, pode-se apontar pelo menos dois fatores que contribuem para a eclosão desse quadro: o déficit educacional e a falta de programas sociais específicos.
De início, sabe-se que a educação é o principal fator na economia de um país, e, ocupando a décima terceira posição na economia mundial, segundo ranking do IBGE, em 2020, seria plausível afirmar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Em contrapartida, a realidade é justamente o oposto, e o resultado desse contraste é refletido no desrespeito e falta de ética por parte da população para com indivíduos acima do peso, que acabam sendo marginalizados na sociedade. Convém, por isso, mencionar a citação do filósofo Immanuel Kant, que diz: “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” Refletindo sobre essa frase,entende-se que parte da solução para a gordofobia passa por melhoria do conteúdo/sistema de ensino popular.
Ademais, faz-se relevante, ainda, salientar a falta de programas sociais específicos como impulsionadora do problema, visto que a ausência desses dispositivos dificulta não somente o tratamento da saúde física como também o mental, uma vez que sendo alvo de escárnios por parcela da sociedade, indivíduos acima do peso retraem-se e sofrem segregação social. Cabe, então, por isso, destacar dados de uma pesquisa do IPO (Instituto de Pesquisa e Opinião), de Janeiro de 2021, aproximadamente 75% dos obesos no Brasil não se sentem acolhidos socialmente, e ainda, por vezes são discriminados. Diante desse contexto, constata-se ser bastante prejudicial a ausência de programas públicos dedicados ao tratamento da obesidade e suas consequências.
Logo, sendo o déficit educacional e a insuficiência legislativa fatores responsáveis pela eclosão desse quadro, medidas para reversão podem ser, por exemplo, a inclusão de educação de ética e direitos civis nas escolas e a criação de programas sociais de saúde para tratamento de indivíduos obesos. Tais objetivos podem ser alcançados por meio de parcerias entre os Ministérios da Saúde e Educação e o Estado, que juntos devem discutir, em conferências, planos e meios para realizarem tais propostas, solucionando de forma definitiva a saúde e o conforto coletivo de indivíduos acima do peso, reintegrando-os na sociedade.