Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 05/10/2021
Com uma carreira de grande sucesso, o pintor colombiano Botero tem em sua arte a exaltação de figuras roliças, de volumes avantajados, como marca registrada e enaltecida pelo público mundial. Fora do mundo artístico, indivíduos, com características físicas semelhantes à essas figuras, sofrem com a gordofobia no Brasil. Nesse sentido, é premente analisar a problemática da imagem difundida pela mídia e as formas de demonstração da intolerância social.
Primeiramente, é lícito postular a estereotipação do corpo propagado na mídia como fator propulsor do preconceito. Nesse cenário, segundo o conceito de “Indústria Cultural”, dos sociólogos Adorno e Horkheimer, a indústria capitalista promoveu a objetificação do corpo e, ocorre a todo instante, a propagação nas redes de pessoas magras como associação do belo e do saudável. Como consequência disso, a sociedade contemporânea, propícia à alienação, aceita essa estipulação do corpo ideal e a reflete no cotidiano, pela adoção de medidas drásticas para alcançar o biótipo e, concomitantemente, pela intolerância àqueles que não seguem o padrão imposto pela mercantilização do corpo. Assim, os indivíduos gordos são considerados doentes e descuidados por não seguirem essa o modelo “perfeito” . Dessa maneira, é importante a ação social para desvincular essa ideia errada sobre um corpo ideal.
Faz-se mister salientar, ainda, as esferas da manifestação do preconceito. Nesse viés, de acordo com Pierre Bourdieu e sua teoria da “Violência Simbólica”, a violência não se restringe apenas ao físico, mas pode ser manifestar no âmbito moral e psicológico. Isto é, não só a utilização de discursos que inferiorizem os indivíduos acima do peso, mas também, a falta de acento adequados para obesos nos estabelecimentos e instituições de ensino, por exemplo, são formas de propagar a intolerância. Desse modo, acabar com a gordofobia é expor que essa está contida na sociedade de diversas maneiras e gera a perda de dignidade do cidadão e o obriga a viver em meio a maldade humana.
Infere-se, portanto, a necessidade de intervenção para acabar com esse preconceito. Logo, urge que o Ministério da educação, por intermédio da maior parcela dos tributos sociais, em conjunto com as escolas, inclua a disciplina de Ética e Cidadania nas instituições de ensino, com o objetivo de ensinar desde os primeiros anos sobre a importância do respeito a todos os tipos de corpos e a desvinculação com o perfil ideal e errôneo que a mídia propaga. Ademais, tal atitude tende a formar um corpo social contra as diversas formas do preconceito e que exija seu fim. Dessa forma, o corpo, seja magro ou gordo, vai ser respeitado e exaltado como fez Botero.