Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 06/10/2021

“Às vezes tenho a impressão de que a lista de apelidos pra gente gorda é infinita.” Esse excerto do livro nacional “Quinze dias”, de Vitor Martins, desenvolve um importante debate acerca da gordofobia. Nesse viés, mostra-se como a sociedade brasileira do século XXI ainda é extremamente preconceituosa com as pessoas que “fogem do padrão” imposto por ela, contribuindo com a exclusão social e com o desenvolvimento de doenças mentais, como depressão, baixa autoestima, entre outras.

Nesse contexto, o modelo de beleza considerada “ideial” na sociedade brasileira - magreza e “barriga chapada” - é o responsável pela resulsa ao diferente. Nesse sentido, comentários negativos e destrutivos são destinados diariamente às pessoas gordas, principalmente com a popularização das redes sociais, nas quais a facilidade de criar perfis falsos para atacar sem receber consequências é comum, conhecido também como cultura do cancelamento.

Dessa maneira, a exclusão perpetua diariamente colaborando para o aumento dos índices de depressão, a qual atinge cerca de 16,3 milhões de brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como no livro de Vitor Martins, no qual o protagonista Felipe sofre gordofobia, não tem nenhum amigo na escola, e passa a ter muitas inseguranças com o próprio corpo, adquirindo depressão.

Assim sendo, a representatividade deve ser a principal solução. Seja em filmes seja em séries e livros, a representação de pessoas diversas é fundamental para a inclusão social de todos, pois cada um pode se espelhar em um personagem e se identificar com ele, diminuindo as pressões sociais para se encaixar no padrão, porque não existiria mais somente um padrão. Ademais, o Ministério da Educação deve criar campanhas de conscientização de combate à gordofobia e sobre a importância da inclusão em todas as escolas do país, por meio de debates em sala de aula, a fim de prevenir o preconceito escolar e evitar a exclusão social.