Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 20/10/2021
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman em sua obra “Em busca da política” nenhum país que esquece a arte de questionar pode esperar encontrar respostas para as adversidades que o afligem. Nessa perspectiva, torna-se passível de debate a questão da gordofobia no país. Logo, o poder público e a coletividade devem se questionar acerca de seu papel no enfrentamento desse problema social. Decerto, a constante rotulação do estereótipo de corpo perfeito veio tomando conta do século XXI. Entretanto, essa incansável pressão imposta pela mídia e meios de comunicação acarretam em muitas pessoas o efeito oposto, trazendo doenças psíquicas e físicas, como ansiedade e pressão alta respectivamente. Além disso, de acordo com a revista Veja Saúde, dentre os adultos que possuem obesidade, 42% destes já sofrem preconceito relacionado ao peso, desencadeando traumas e estigmas relacionados ao seu corpo. Esses fatos mostram o baixo apoio e incentivo na redução das consequências relacionadas à gordofobia no país. Sendo assim, fica evidente a necessidade de auxílio e suporte para esses cidadãos.
Ademais, ressalta-se a realidade desumana vivida por muitas pessoas acima do peso no país. Nesse sentido, é lícito citar a Alegoria da Caverna de Platão, no qual, o indivíduo acorrentado tende a permanecer na caverna por ser mais cômodo do que descobrir sua verdadeira realidade. Análogo a isso, percebe-se na sociedade moderna a constante banalização do corpo real e ao mesmo tempo uma supervalorização do corpo ideal exposto nas redes sociais atingido por meio de photoshops e poses estratégicas, trazendo uma concepção de qualquer um pode tê-lo e assim, desencadeando diversos efeitos negativos nas pessoas que não se adequam a esse “padrão”, tornando seus telespectadores os novos acorrentados do século XXI. Dessa forma, fica evidente a necessidade de acabar com a idealização de algo inatingível dentro do território nacional.
Assim sendo, torna-se indubitável o apoio de medidas públicas e coletivas para o aumento do debate da gordofobia no Brasil. Posto isso, cabe o investimento do Ministério da Educação em palestras escolares que exponham o sofrimento de pessoas acima do peso, com o intuito de sensibilizar aqueles que praticam bullying e assim evitando o surgimento de estigmas para aqueles que sofrem com a gordofobia. É válido ressaltar o empenho do Ministério da Cidadania associado a várias influencers na exposição de campanhas mostrando o verdadeiro corpo de quem está por trás das câmeras e assim desmistificando a ideia de corpo ideal, tendo por consequência o aumento da auto estima de várias pessoas e a aceitação de seus corpos.