Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 16/10/2021

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - assegura a todos os cidadãos o princípio de isonomia, o qual todos os cidadãos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.No entanto, na conjuntura contemporânea, nota-se que essa prerrogativa não é efetiva na prática, em decorrência da persistência de atos discriminatórios a pessoas com sobrepeso no âmbito social. Nesse contexto, urge analisar como o culto a padronização corporal e a negligência estatal impulsionam tal problemática.

Convém ressaltar a princípio, que a manutenção da gordofobia no meio social está intrinsecamente relacionada ao culto a padronização corporal. Segundo o sociólogo Habermas, na sua teoria do Habitus, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Nessa perspectiva, de forma análoga a esse pensamento, percebe-se na esfera social uma imposição a um corpo magro e sem defeitos, o qual é visto como parâmetro a ser seguido. Desse modo, aqueles indivíduos que não seguem esse padrão corporal sofrem constantemente preconceito e bullying, o que afeta negativamente as relações sociais desse público.

Outrossim, vale salientar a ineficácia das políticas públicas no combate a gordofobia. De acordo com Thomas Hobbes, teórico contratualista, o Estado é responsável por assegurar o bem-estar de uma comunidade. Entretanto, a máquina administrativa rompe a tese de Hobbes, uma vez que não cumpre o seu papel de garantir aos indivíduos que estão com sobrepeso uma lei mais rígida que penalize os cidadãos que cometerem ações de hostilidade contra esse público. Dessa forma, a mínima atuação estatal em combater os casos de gordofobia propicia a continuidade desse panorama e, consequentemente, o isolamento social desses sujeitos sociais.

Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas estratégicas para atenuar a gordofobia no Brasil. Logo, cabe a Mídia, como difusora de informações, promover campanhas publicitárias para conscientizar a população sobre a gravidade da gordofobia e desmistificar os padrões corporais impostos socialmente. Isso deve ser feito por meio de vídeos e publicações na televisão e nas redes sociais, em linguagem clara e acessível a todos os públicos,com o fito de combater os episódios discriminatórios contra os indivíduos com sobrepeso. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na constituição.