Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 15/10/2021
“É mais fácil destruir um átomo do que um preconceito”, essa máxima do físico Albert Einstein alerta sobre o quão enraizados estão os julgamentos e juízos de valor na sociedade contemporânea. Uma vez pré-definidos, os moldes corporais e comportamentais são difundidos no imaginário social, ocasionando em uma “estereotipação” de modelos desviantes. Por isso, observa-se, no Brasil, país consagrado internacionalmente por suas “garotas de ipanema” longilíneas e esbeltas, uma aversão ao corpo gordo, taxando-o como não saudável e preguiçoso.
Em primeira análise, o conceito de corponormatividade contribui para a separação entre pessoas enfermas e indivíduos saudáveis. Através dessa definição, que decreta como útil o fenótipo magro e deficiente o modelo corporal gordo, a população nacional acima do peso sofre, diariamente, discriminação. Além disso, o estabelecimento de uma estrutura física tida como “normal” , não só reduz a capacidade humana de admirar sua pluralidade, como também vicia o olhar a decretar como belo apenas um biotipo. Sendo assim, corpos gordos são reduzidos à doenças, enquanto os esguios são idealizados como símbolo de uma vida equilibrada e coesa.
Ademais, em segunda análise, o filósofo pós moderno Michael Foucault, em sua teoria entitulada " Microfísica do Poder", disserta acerca do que denomina “Biopoder”. Por meio de sua obra, Foucault explica que, uma das principais formas de se controlar a sociedade é através do monitoramento do biótipo humano. Assim, o Estado, através dos veículos de grande mídia e circulação, dita a constituição física a ser seguida, fazendo com que as pessoas que não possuem tais características se sintam reprimidas e impelidas a se adequarem ao padrão. Por conseguinte, fragilizados emocionalmente, esses indivíduos são facilmente controlados e alienados ao regime vigente, perpetuando sua submissão ao governo.
Em suma, infere-se que a gordofobia é fruto de um projeto excludente e vil, que propaga o ódio ao não-convencional e o estigmatiza. Dessa forma, urge a necessidade da implantação de uma lei de âmbito nacional que criminalize os atos de ódio gerados pelo pensamento corponormativo. Essa ação poderá ser realizada por meio de votação de projeto de lei no Congresso Federal, onde deputados e senadores comprometidos com a causa, respectivamente elaborarão e votarão a lei para sua entrada em vigor. É interessante, também, a realização de campanhas por parte da população brasileira, que ajudarão no empoderamento do corpo gordo e sua consequente desmistificação. Através dessas medidas, enfim, a prática gordofóbica deixará de ser um ato cotidiano para se tornar um crime com punições sérias à aqueles que infringirem a lei.