Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 19/10/2021

Na música “Garota de Ipanema”, o cantor e compositor Tom Jobim homenageia o corpo perfeito da modelo brasileira Helô Pinheiro. Esse fato está atrelado a uma reprodução do ideal cultural de beleza vigente, visto que privilegia os padrões corporais de modelo e, consequentemente, expressa o preconceito gordofóbico arraigado na sociedade brasileira.

Nesse cenário, podemos ver a configuração de um grave problema social com contornos específicos, perpetuado pela cultura do patriarcado e pela insuficiência legislativa. Note-se, em primeiro lugar, que a dominação masculina em várias instituições sociais, como a política, a economia e a família, é o principal fator de manutenção do problema. Segundo a “Teoria do Habitus”, do sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e posteriormente reproduzidos pelos próprios indivíduos. Há, portanto, uma relação clara entre o domínio dos desejos masculinos e a submissão feminina, visto que o estereótipo do corpo é imposto às mulheres pelo pensamento sexista.

Em segundo plano, importa referir que a insuficiente situação legislativa permite a propagação dos preconceitos corporais e da fobia de gordura no antro social. Essa situação corrobora a teoria da “banalidade do mal”, defendida pela filósofa política Hannah Arendt, uma vez que tais práticas são formas de violência que passam despercebidas na sociedade. Portanto, é imprescindível que o Estado desenvolva projetos legislativos com o objetivo de inibir tais práticas e resguardar o direito à dignidade dessas pessoas.

Cabe, portanto, às instituições de ensino gerar espaços de reflexão como feiras, congressos e simpósios, que contribuam para uma discussão efetiva sobre a importância do empoderamento do corpo feminino, para que essa forma de preconceito seja erradicada. Além disso, cabe ao Governo Federal, na figura do Ministério da Justiça, legislar e criminalizar tais práticas, a fim de garantir igualdade e dignidade para todas as mulheres. Só assim a sociedade brasileira se libertará da prisão do padrão estético.