Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 19/10/2021
“O sujeito é constituído por identificações advindas da cultura em que está imerso”. Assim disse Sigmund Freud, criador da psicanálise, que tem sua tese cabível no que se diz respeito sobre o preconceito sofrido por pessoas com sobrepeso no Brasil. Tal questão além de refletir o passado preconceituoso da sociedade brasileira, espelha o contexto da ditadura militar onde diversas minorias eram extremamente reprimidas. Este tema é um desafio ao poder público, à sociedade e às instituições de educação. E sua não solução fará com que os casos de depressão e distúrbios alimentares só aumentem.
Primeiramente, é importante destacar que a Constituição Federal de 1988 fez grandes avanços na garantia de direitos civis fundamentais a muitas minorias. Porém, pela falta de atualizações na Carta Magna, ainda existem grupos marginalizados, em especial as pessoas fora do padrão estético corporal, que ainda sofrem com diversos tipos de preconceitos, como falta de acessibilidade e ofensas verbais.
Em segundo lugar, o resultado da desconsideração do governo em relação à gordofobia ficou ainda mais evidente quando, em uma pesquisa assinada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), foi registrado que entre um e dois quintos da população obesa sofrem com preconceito.
Logo, é indispensável que o poder público intervenha, por meio de campanhas que tenham como objetivo derrubar estes preconceitos, divulgando que magreza não é sinônimo de saúde. Cabe ao Estado, também, a criação de projetos de emendas constitucionais para a proteção destas novas minorias. Por fim, as escolas, junto à sociedade, devem educar as crianças e adolescentes sobre a diferença entre saúde e cultura corporal.