Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 19/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à saúde e respeito como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a gordofobia, dificultando, deste modo, a universalização desses direitos sociais tão importantes. Diante da ignorância, preconceito e padrão de beleza exercido por parte da sociedade, faz-se a imperiosa análise da banalização da discriminação direcionada à parcela da população obesa.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a gordofobia. Nesse sentido, a popularização do estigma e de ideais acerca das pessoas acima do peso já se mostra presente em diversas manifestações sociais. Conforme o documentário “O Riso dos Outros”, da TV Cultura, a comédia se apoia, em geral, em teses preconceituosas sobre indivíduos com menos representatividade na sociedade. Assim, na medida que essas aumentam, maior é a tendência dessa parcela populacional sofrer discriminações e desrespeitos apenas por conta de sua aparência física. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o respeito ao próximo.

Ademais, é fundamental apontar o bullying como impulsionador da aversão à gordofobia no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE), mais da metade da população brasileira está com sobrepeso, e desse número, cerca de 30% das pessoas que querem emagrecer sofrem de depressão, a qual, quando não tratada, pode levar ao suicídio. Diante de tal exposto, fica evidente que o desprezo pelo outro se dá pelo fato de ser diferente do padrão estético social, assim, a fim sanar a situação, algumas vítimas acabam por buscar formas radicais de resolução, como automutilação, dietas mirabolantes, cirurgias plásticas e/ou suicídio. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação (MEC), por ser o principal responsável por delimitar quais conteúdos devem ser ensinados às crianças e aos jovens brasileiros, conscientize o quão prejudicial é, para a humanidade, existir um povo que odeia minorias. Isso deve ser feito por meio da criação de uma matéria obrigatória para todas as escolas do Brasil, a qual desenvolva sentimentos de empatia e amor ao próximo em todos os estudantes. Assim, se consolidará uma sociedade menos preconceituosa, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.