Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 19/10/2021

Em 1994, o cantor e compositor, Kurt Cobain, finalizava sua carta de suicídio com a simples frase: “Paz, amor e empatia”. É possível afirmar que o artista foi mais uma vítima da mídia, que criticava fortemente sua estética e suas atitudes, por mais simples e cotidianas que fossem. Todavia, mesmo com o passar de anos e inúmeros exemplos do estrago psicológico causado pela pressão social, junto da falta de empatia, cada vez mais, é possível enxergar atos que vão contra os princípios descritos na carta, com pessoas sendo influenciados, cada vez mais, pela mídia que lucra em cima dos padrões impossíveis de beleza que são impostos. Desta maneira surge um problema agravante gerado por ideias preconceituosas, a gordofobia.

Portanto, muitos que apenas não atendem o padrão dos corpos “perfeitos”, enfrentam diariamente violências, injustiças e julgamentos, por parte de gordofóbicos, que se escondem atrás de falsos ideais e justificam seus preconceitos com mentiras. Deste modo, este problema se mostra cada vez maior, sendo que pessoas relativamente acima do peso sofrerão tanto por ataques de outras pessoas, quanto por ter de lidar com graves problemas de autoestima, que acontecem em decorrência desta demonização de corpos perfeitamente normais. A nutróloga Ana Luisa Vilela, ainda afirma que, corpos não precisam ser necessariamente lindos, para serem saudáveis, falácia esta, que está perpetuada na mente de muitos.

De acordo com a empresa de dados Kantar, em 2021, cerca de 20% das brasileiras sofrem com baixa autoestima, sendo que 16% das entrevistadas afirmam que o sentimento se deve à representatividade presente nas mídias, ou melhor, pela falta dela. É necessário enfatizar que tudo isto poderia ser evitado, caso não houvesse a previamente dita demonização dos corpos normais e naturais, contudo, isso ainda é longe de ser realidade. Assim, esta falta de representatividade em apresentadoras e famosas cria a sensação de uma falsa realidade e impõe um padrão inalcançável naturalmente, o que faz ou com que o público alvo da mídia se envergonhe do seu corpo ou ponha sua vida e estabilidade financeira em risco, para realizar certas cirurgias que o alterem.

Consequentemente, conclui-se que, como citado inicialmente, é fundamental que princípios como paz, amor e empatia, sejam mais cultuados, uma vez que os males trazidos por sua falta são cada vez mais agravantes. Logo, cabe ao governo, por meio do Ministério da Saúde em parceria com ONGs, realizar campanhas de conscientização por meio de palestras com especialistas e propagandas na mídia que tragam visibilidade ao assunto. Destarte, será possível amenizar os problemas sociais causados, construindo um Brasil mais saudável.