Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 27/10/2021
No poema “vou-me embora pra pasárgada” de Manuel Bandeira, vê-se, o eu lírico anunciando a sua ida para um lugar melhor, fugindo, assim, das adversidades e conflitos do mundo que o cerca. Contudo, esse escapismo não se limita à poesia, já que parte da sociedade tem adotado postura semelhante em vez de tentar superar, por exemplo, a gordofobia no Brasil. Nesse prisma, é importante analisar essa questão no País.
Primeiramente, entende-se que falta engajamento coletivo para alcançar, realmente, uma sociedade sem padrões de beleza. Como prova disso, verifica-se a inércia de parte da população em não lutar pela preparação de uma lei mais rígida, posto que a legislação mais rígida, posto que a legislação em vigor, por ser considerada branda não inibido o preconceito contra as pessoas que não possuem o “corpo ideal” imposto pela sociedade, o que compromete a autoestima dos que estão acima do peso. Tomando as reflexões do sociólogo Zygmunt Bauman para explicar esse cenário, percebe-se que, em virtude da cultura do individualismo que se intensificou a Segunda Guerra Mundial, quando as pessoas passaram a negligenciar os problemas anteriores.
Além disso, destaca-se que aceitar o comprometimento da saúde mental é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa indiferença diante da ausência de assistência estatal, já que falta oferecer tratamento psicológico para as causadas desse preconceito, comprometendo, dessa forma, a integridade dessas. A banalização desse problema pode ser explicada pelos estudos da filósofa Hannah Arendt, dado que, através de um processo de massificação social, os deficientes estão perdendo a capacidade de discernir, moralmente, o certo do errado.
Convém, portanto, ressaltar que a gordofobia deve ser superada. Logo, é necessário, exigir do Estado mediante debates em audiências públicas, a elaboração de uma lei mais rígida, priorizando a indenização financeira, por parte dos infratores, para as datas dessa discriminação, com o objetivo de tentar compensar minimamente o mal discernida. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada diante do combate a esse preconceito, fortalecendo, assim, a mobilização coletiva em prol de assistência estatal, para garantir, no Sistema Único de Saúde, o tratamento psicológico necessário para essas pessoas. Desse modo, o escapismo frente as adversidades se limitaria ao poema de Manoel Bandeira.