Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 26/10/2021
O filósofo Rousseau disserta em sua obra, a natureza faz o homem bom e feliz, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável. Analogamente na atual sociedade brasileira, desde que os indivíduos que fazem parte do corpo social nascem, são julgados por um inconsciente coletivo que a rege com bases em um padrão de beleza, depreciando-os e os tornando miseráveis por sua aparência estética. Assim, fazendo coro ao que o filósofo diz, observa-se que, na conjuntura contemporânea brasileira, é imperiosa a análise dos malefícios causados pela criação de um padrão de beleza universal e as suas consequências sobre os indivíduos.
Em primeira análise é importante destacar a grande problemática dos padrões estéticos criados pela sociedade. Sabe-se que os primeiros registros de tentativas de padronização da beleza humana surgiram na Grécia Antiga, segundo os gregos, o modelo de beleza ideal deveria combinar harmonia e equilíbrio, valorizando as medidas proporcionais. Desse modo, foi se criando um inconsciente coletivo que normaliza e produz corpos padronizados até os dias atuais fazendo com que indivíduos os quais não se encaixam nessa idealização sejam depreciados e inferiorizados. Logo, fica claro que a criação de um estereótipo coletivo é extremamente prejudicial e causa tantos problemas físicos quanto psicológicos, visto que corpos gordos por exemplo são associados diretamente a falta de saúde e cuidado, inferiorizando essa parcela da população brasileira.
Somado a isso, uma das consequências mais graves ligadas aos padrões de beleza são o desenvolvimento de doenças mentais. Indivíduos que sofrem com o preconceito tornam-se muito mais suscetíveis ao desenvolvimento de sintomas depressivos, altos níveis de ansiedade, estresse, compulsão alimentar e até mesmo ao isolamento. Essa somatória de enfermidades são decorrentes dos preconceitos e discriminações de pessoas pelo simples fato de serem gordas e não serem “bonitas” perante a um julgamento social, a gordofobia é a aversão à gordura. Nesse sentido, os estereótipos construídos e moldados pela humanidade tornam-se alcançáveis à poucas pessoas e causam um impacto extremamente negativo para o bem estar dos indivíduos acima do peso, além do mais, o preconceito dificulta o acesso tanto a medicamentos quanto ao tratamento dessas pessoas.
Destarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Isto posto, cabe ao Governo Federal, administrador dos setores públicos relacionados à saúde, realizar campanhas de conscientização - projeto que cobre todo o território nacional - por meio de palestras dadas por vítimas da gordofobia com a finalidade de desconstruir os estereótipos associados à essas pessoas. Espera-se, com essa medida, que haja a conscientização em massa sobre a gravidade da problemática.