Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 24/10/2021
A opinião sobre beleza da sociedade é totalmente moldavél. Esse molde, feito principalmente pela mídia, influência diretamente as massas populares e forma opinião de toda uma população. Dito isso, podemos aplicar essa lógica a uma influência direta na formação de um pensamento preconceituosos sobre corpos gordos, gerando o senso comum de uma falsa equivalência entre magreza e saúde, e impactando a rotina de pessoas gordas.
O padrão de beleza sempre foi inflûenciado pela condição socioeconômica de um povo. Se considerarmos o início da formação das organizações sociais, esculturas como a “Vênus de Willendorf” retratam que o padrão de beleza era o corpo mais gordo, capaz de resistir ao parto e a condições extremas de alimentação. Ao longo da história, o padrão foi variando conforme a localidade, até o início das relações de colonização assimilarem os padrões europeus como o almejado.
Acontece que até o século 19, a beleza dos corpos gordos era desejada por todos, devido a falta de técnicas que permitissem a oferta de alimentos para o ano todo, então aqueles que possuiam corpos mais gordos tinham alto status, pois o fato de serem gordos eram associados com conseguir comer bem o ano todo.
A partir do desenvolvimento das técnicas de conservação de alimentos, esse padrão foi mudando cada vez mais, e sempre buscando um corpo cada vez mais magro que o padrão anterior, relacionando o corpo gordo como algo não saudável, e vendendo um corpo magro como a única forma de ter uma vida de qualidade. Atualmente, chega a ser senso comum que a saúde e uma pessoa gorda sejam antônimas, impactando diariamente a vida de pessoas saudáveis que não estão encaixadas com o padrão imposto, a cantora Lizzo é um exemplo concreto disso.
A mudança da situação deve partir de ações voltadas a mudar o imaginário popular, visto que se há mudança do pensamento coletivo, a mídia e a propaganda também são modificadas, algo que ja está acontecendo. Para acelerar essa “revolução” do pensamento, caberia ao Governo Federal organizar uma campanha de informação junto ao Ministério da Saúde e a Secretaria de Cultura para combater esse pensamento retrógrado. Por parte do Ministério da Saúde, a campanha trataria de informar que saúde vai munto além de aparência, e um padrão artificial não alcançado por meios naturais não pode ser parâmetro de um corpo saudável. Por parte da Secretaria da Cultura, a campanha traria personalidades e psicólogos para palestrar sobre a importância da auto aceitação, com o intuito de querer fazer as pessoas se exercitarem e começar novos hábitos pensando na saúde, não em se encaixar no padrão de beleza.