Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 28/10/2021
Durante o início do século XX, filósofos da Escola de Frankfurt questionaram o poder da Indústria Cultutal sobre os padrões sociais, entre eles o que é belo ou não. Neste sentido, a mudança nos parâmentros de beleza corporal, em prol da comercialização, se tornou essencial para o capitalismo, além de ser percursora de preconceitos quanto a um corpo fora dos modelos idealizados. Desse modo, analisar a influência da mídia e os impactos psicológicos em casos de gordofobia é necessário.
Em primeiro lugar, vale destacar a interferência midiática sobre os padrões de beleza. De forma histórica, o parâmetro corporal mudou em conjunto com as necessidades culturais, porém, a partir do uso dos meios de comunicação de massa - rádio, cinema e televisão - a noção popular sobre a estrutura física idealizada se intensificou, o que gerou preconceito e, até, aversão a quem estava acima do peso. Aliado a essa noção equivocada, a mídia não sugere apenas o fato do corpo gordo está fora dos padrões, mas o associa a alguém doente, como relatado em um episódio do programa Profissão Repórter, sobre a dificuldade de modelos “plus size” para encontrarem emprego devido preconceito em relação ao corpo.
Em segundo plano, a saúde mental de quem sofre gordofobia é um fator a ser considerado. Apesar do avanço nos debates sobre os padrões de beleza, as atitudes discriminatórias provacam impactos sérios na saúde das vítimas, em especial a mental, a ponto de desenvolverem patologias, como depressão e compulsão alimentar. Segundo a revista “Nature Medicine”, a gordofobia é uma ação que contribui para casos de suicídio de pessoas gordas em todo o mundo, o que reforça a necessidade de abordar a perspectiva da saúde mental como impactante na vida dos gordos.
Portanto, divulgar com o mesmo empenho da Indútria Cultural a não idealização do corpo é urgente para que haja redução em casos de gordofobia. Sendo assim, o Ministério da Saúde, em parceria com as redes sociais, deve elaborar campanhas nacionais sobre o tema. Essas campanhas ocorerram por intermédio de enquetes, lives com influenciadores digitais e dados sobre a situação no país, a fim de gerar senso crítico popular, um impacto midiático positivo e diminuir o preconceito.