Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 27/10/2021
Os inalcansáveis padrões de estética construídos pelas redes sociais refletem no desmerecimento de um corpo saudável e na criação de estigmas, como a gordofobia. O debate sobre a gordofobia no Brasil possui pouca visibilidade e engajamento, o que aponta para dois fatores, a falta de empatia e de concientização social. Primeiramente, é necessário abordar como a disseminação do padrão de beleza pelas mídias afeta a população brasileira no geral, e, em seguida, o que o silenciamento e a exclusão das pessoas que sofrem da inferiorização pelo corpo pode gerar para estas.
Em primeira análise, é necessário a cognição que a internet foi moldada como meio de influência às pessoas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, houve um crescimento de 141% em procedimentos estéticos em indivíduos de 13 a 18 anos nos últimos dez anos, o que “coincide” com a data de lançamento do Instagram, rede social de extrema popularidade entre os jovens. Dessa forma, ao retratar o poder da mídia sobre o corpo de um sujeito, esta é totalmente voltada para a preferência pelo corpo magro, muitas das vezes passando a mensagem que apenas uma pessoa desse estilo é realmente bonita, ignorando que o emagrecimento e a estética afetam diretamente a saúde mental e física do ser humano. Através da desinformação e da fixação do padrão, pode-se compreender a origem da dificuldade da visibilidade e abertura para o debate sobre a gordofobia.
Por conseguinte, ao se abordar o tamanho domínio da internet sobre o padrão, é possível falar sobre as consequências deste e da gordofobia no cotidiano das pessoas que são inferiorizadas diante de um grupo social. Nesse sentido, dois fatores necessitam a atenção, o isolamento e o silenciamento destes indivíduos. A falta de evidência que debates sobre a gordofobia recebem, nas redes sociais principalmente, acarreta na falta de voz que observa-se diante as pessoas que sofrem do estigma, podendo levar a exclusão social do sujeito atingido. Desse modo, doenças mentais, como ansiedade, distúrbios mentais e baixa autoestima, são consequências frequentes na sociedade, o último exemplo é muito bem representado pelo filme “Sierra Burgess is a Loser”, produzido pela Netflix, onde a personagem principal sofre preconceito por seu peso.
Diante das análises feitas acima, observa-se que uma medida de intervenção é a quebra do estigma. Portanto, a educação é uma forma segura de investimento nessa quebra de preconceitos. Nesse sentido, palestras e debates podem ser promovidos pelas próprias escolas, visando a conscientização sobre a gordofobia e os padrões determinados e suas consequências para a sociedade. A geração jovem atual, a qual é extremamente afetada pela internet, terá acesso a informações realistas, ajudando para a visibilidade e execução de debates sobre a gordofobia, até mesmo fora da escola.