Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 27/10/2021

O filme “Sierra Burgess é uma Loser” discute a história de Sierra, uma adolescente que sofre bullying por ser gorda e não ser vista como atraente perante a visão estereotipada da sociedade. Fora da ficção, essa é uma realidade vivida por diversas pessoas, principalmente por grupos mais jovens do corpo social, os quais, devido o culto à aparência da contemporaneidade, sentem-se obrigados a seguir os padrões ilusórios de corpos perfeitos difundidos pelas esferas midiáticas. Dessa maneira, é necessário o debate sobre a gordofobia nas esferas nacional e internacional.

Em primeiro plano, vale analisar as causas para essa repulsa aos corpos fora dos padrões impostos pela coletividade. Sobre isso, percebe-se que os programas televisivos e as redes sociais contribuem para a difusão do estereótipo de corpo perfeito e exercem uma forte pressão contra pessoas que não se encaixam nesses padrões. Nesse contexto, um exemplo foi a polêmica relacionada à cantora Demi Lovato, a qual desenvolveu distúrbios alimentares por conta do controle de peso que a indústria exercia sobre ela, o que causou uma grande discussão sobre o bem-estar mental e físico em contrapartida à um corpo julgado perfeito pelos padrões da sociedade.

Além disso, as consequências causadas pela gordofobia são inúmeras. Dessa forma, as problemáticas de ansiedade e de depressão sofridas pelo indivíduo que se vê longe dos ideais da comunidade são as mais comuns, no entanto, não são as únicas. Outrossim, transtornos alimentares como bulimia e anorexia também são comumente encontrados nesses casos, os quais o medo de não estar no peso ideal acaba comprometendo o vigor físico e mental do ser. Logo, percebe-se o quão dráticas podem ser as consequências dessa intolerância, colocando em prova a citação do cientista Albert Einsten, o qual pontuou que é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito.

Portanto, é necessária a tomada de medidas capazes de mudar esse cenário caótico de gordofobia, que acaba comprometendo o bem-estar dos afetados. Para isso, cabe ao Poder Legislativo a criação de leis que tenham como objetivo regulamentar essa forma de preconceito, a fim de punir os responsáveis pelas discriminações. Também, às eferas midiáticas, cabe a criação de programas tecnológicos capazes de rastrear e tirar do ar comentários e publicações maldosas contra pessoas foras dos padrões e propiciar a circulação de campanhas, nas redes sociais e nos canais televisivos, que incentivem a autoaceitação, movimento popularmente chamado de “Body Positive”.  Só assim, histórias como a de Sierra serão, de fato, encontradas apenas na ficção.