Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 27/10/2021
Na série “Insatiable” da Netflix, é retratada a história de Patty, personagem que sofreu bullying durante sua vida toda e somente após perder 30 quilos, é aceita como uma linda garota. No contraste fictício com a realidade brasileira, a gordofobia e o veneração ao corpo padrão mostra-se como uma problemática. Isso ocorre não somente pela forte influência da mídia sobre os protótipos estéticos, mas também com as associações diretas entre o corpo gordo e a saúde.
Em primeiro lugar, vale analisar a incontrolável busca das mulheres pelo corpo perfeito em decorrência da influência midiática. Nas propagandas e nas redes sociais, ocorre uma bombardeio diário de fotos e vídeos enaltecendo corpos magros e dentro dos padrões impostos pela sociedade, associados à felicidade, leveza e a necessidade de estar nesse padrão para viver bem e ser aceito. Além disso, há várias publicidades de produtos que prometem solucionar todos os seus “problemas” como um “pneuzinho” na barriga e centímetros a menos de cintura, geralmente feitas por modelos magras que propagam essa falsa realidade. Essas atitudes realizadas pela mídia, juntamente ao mercado, estão em uma busca desgovernada por dinheiro e acabam esquecendo que estão lidando com pessoas e que podem causar danos irreversíveis em suas vidas.
Em segundo lugar, é valido ressaltar a associação direta entre o corpo gordo e a falta de saúde. Muitas vezes por falta de informação, as pessoas propagam na internet e no seu dia a dia comentários que afirmam que uma pessoa acima do peso sofre com problemas de saúde, generalizando e rotulando todas essas pessoas. “Ser gordo não é sinônimo de doente. Existem pessoas obesas livres de indicadores de diabetes ou doenças vasculares”, afirma a endocrinologista Tereza Eickmanndo Hospital Santa Luzia. Como também associam um corpo magro à saúde, o que na grande maioria das vezes não é correto e nem comprovado. Todas essas ações gordofóbicas geram em uma pessoa um turbilhão de emoções e traumas, como o desenvolvimento de doenças mentais e distúbios alimentares, exclusão e isolamento influenciados pelo bullying e até a submissão a procedimentos cirúrgicos gravíssimos.
Portanto, torna-se necessária a adoção de medidas que mitiguem a problemática da gordofobia e o culto ao corpo padrão. Cabe ao Governo Federal, através dos meios midiáticos, informar a população por meio de campanhas e propagandas sobre como são graves as consequências na vida de alguém que já sofreu ou sofre de gordofobia, e também incentivar a representatividade dessa parcela da população nas mídias para mostrar que todos os tipos corporais são bonitos e quebrar a imagem dos gordos como sedentários e sem saúde.