Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 27/10/2021

Na série “Insatiable”, da Netflix, é apresentada a história de Patty, que só passa a ser vista como relevante para a sociedade após sofrer um acidente que restringe sua alimentação, o que a faz emagrecer vários quilos. Fora da ficção, a atual conjuntura brasileira não é diferente, visto que é percebida a gordofobia e a veneração ao corpo padrão magro. Tal problemática decorre tanto da falta de debates sobre o tema quanto da negligência do sistema educacional vigente.

Diante desse cenário, destaca-se a falta de oportunidades ao debate como fomentador da questão. Sob esse viés, q filósofa alemã Hannah Arendt afirma em “A Banalidade do Mal” que o pior dos males é aquele visto como corriqueiro. Sendo assim, a naturalização da gordofobia e do culto a magreza são resultado da falta de incentivo à discussão.

Dessarte, de acordo com o educador brasileiro Rubem Alves, as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, sendo capazes de proporcionar conhecimento ou condições de alienação. Nesse sentido, os colégios funcionam como gaiolas, pois falham ao revogarem as concepções de que a magreza é sinônimo de saúde, a partir do momento que não abordam tal temática nas salas de aula. Diante do exposto, fica clara a necessidade de mitigar os óbices discutidos.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde promover espaço nas escolas para a discussão sobre temas como o corpo, a saúde e o respeito, por intermédio de debates e palestras de nutricionistas, a fim de elucidar a população a respeito dos preconceitos sofridos pelos gordos, assim como dar fim à idolatria a um corpo padrão. Somente assim, o corpo social brasileiro poderá se afastar da situação apresentada em “Insatiable”.