Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 02/11/2021

Na série “Insatiable”, a jovem Patricia Bladell sofre bullying por ser obesa, durante toda sua infância  e, após ser chamada de “gorda” e “horrosa” por um mendigo, se junta a um treinador para se tornar uma nova pessoa. Fora da ficção, tal realidade ainda se faz presente e tomou proporções enormes, deixando de ser um tipo de “pirraça” para uma total aversão do que não é magro. Sob essa perspectiva, é cabivel analisar os fatores que trazem a necessidade de debater a gordofobia no Brasil, em decorrência da falta de empatia e da idealização de um padrão estético.

Inicialmente, o olhar distorcido da sociedade  para com o obeso, devido a sua estética e a sua insaciedade pelo o que é alimentício, traz a ideia de que ser “gordo” é questão de escolha. Isto posto, o romance “ensaio sobre a cegueira”, do literato José Saramago, é ultilizado para sintetizar a falta de sensibilidade do indíviduo perante os embrólios enfrentado pelo próximo. Dessa forma, a ausência de empatia os torna gordofóbicos, por não perceberam  que tal costume se trata de um transtorno psicológico, que pode ter seu fator de causa, devido a ansiedade ou depressão, o qual, o sujeito poder ver na comida um prazer súbito ou um escape da sua realidade.

Ademais, a inserção de um padrão estético, contribui para o enraizamento da aversão àqueles que possui um corpo com dimensões mais avantajadas, haja vista que implementa o conceito de que a escultura do corpo determina  o nível de saúde. Seguindo essa linha de raciocínio, na Grécia antiga a estética era voltada a perfeição do corpo, pois era considerado uma forma do divino se manifestar. No entanto, no Brasil contemporaneo, essa crença não se faz presente, já que é através de exames que se determina o grau de vitalidade, independentemente de ser gordo ou magro. Assim, percebe-se que a imposição de um protótipo de beleza não tem nada a ver com a saúde e sim com o preconceito.

Portanto, medidas são necessárias para reverter esse cenário. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Educação, deve promover palestras nas escolas, por meio de entrevistas com vítimas do problema, bem como especialistas no assunto, a fim de trazer mais lucidez e desentralizar os conceitos distorcidos da obesidade. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais dos Ministérios, com o objetivo de atingir um público maior e propagar o conhecimento sobre o problema da temática. Assim, a gordofobia poderá ser amenizada dentro da sociedade brasileira.