Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 02/11/2021

O filósofo Immanuel Kant, ao conceituar os imperativos categóricos, defende que todas as pessoas devem ser valorizadas e tratadas com dignidade. No entanto, percebe-se que, no Brasil, há uma clara deturpação da ideia do intelectual, tendo em vista a massiva prática da gordofobia, preconceito contra pessoas que estão acima do peso, de modo a prejudicar a vida dos obesos que são desvalorizados e caracterizados, por vezes, como inferiores. Nesse sentido, em virtude da insuficiência das ações estatais e da mentalidade social retrógrada, emerge um desafio complexo, sendo fulcral debatê-lo.

Em primeiro plano, a falta de efetividade governamental fomenta a discriminação sofrida pelos obesos. A esse respeito, o escritor Gilberto Dimenstein afirma, na obra “O cidadão de papel”, que muitas leis pouco atuam na realidade, permanecendo apenas no papel. Nessa lógica, a gordofobia, muitas vezes, é banalizada pelo governo, o qual não busca evitar que as pessoas acima do peso sejam humilhadas e rotuladas como seres indiferentes pela sociedade, o que camufla a realidade de medo e insegurança que cerca essas vítimas. Diante disso, essa situação é verificada, seja pela ausência de programas estatais que promovam a instrução alimentar dos indivíduos obesos, bem como formas de obter autoconfiança e amor próprio nas escolas públicas, seja pela carência de debates e atividades de discussão, como fóruns com a sociedade para esclarecer acerca da obesidade e da importância de respeitar essas pessoas. Logo, fica evidente a inoperância do governo nessa questão.

Além disso, o pensamento coletivo distorcido contorna a problemática. Nesse contexto, o sociólogo Marx Weber alega que as ações sociais tradicionais são resultados da mentalidade social enraizada e concretizada. Sob essa análise, a forma preconceituosa de visualizar os indivíduos com excesso de peso é materializada e massificada pela população, a qual é influenciada por mecanismos manipuladores que romantizam corpos magros como sinônimo de beleza e padrão estético. Tal cenário é comprovado, por exemplo, por intensas propagandas midiáticas que depreciam com opressão a obesidade em filmes e redes socias, como o Instagram, de maneira a criar uma imagem negativa do corpo obeso e,  assim, alienar a massa coletiva a discriminar e desvalorizar essas pessoas.

Portanto, a fim diminuir a gordofobia e a opressão contra pessoas obesas, cabe ao Ministério da Saúde formular uma campanha social que estimule a reflexão sobre corpos em excesso de peso, por meio do relato antônimo de vítimas que sofreram discriminação por conta da obesidade, as quais devem relatar o sentimento tido. Ademais, essa campanha deve contemplar periódicos debates socias com a comunidade, esclarecendo e rompendo com a mentalidade preconceituosa estabelecida. Por fim, a concepção de Kant poderá ser verificada no Brasil.