Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 02/11/2021

Na música “Pretty Hurts” da cantora americana Beyoncé, o eu lírico lida com os padrões de beleza impostos pela sociedade, afirmando que alcançar tais ideais é um processo doloroso, causando distorção de imagem, ansiedade e depressão. Fora da composição, relaciona-se tais problemáticas citadas com a gordofobia presente na sociedade brasileira, seja pela desconsideração das escolas com esse tipo de preconceito ou pela negligência da mídia.

Em primeiro lugar, é evidente que a gordofobia poderia ser evitada, se o sistema educacional brasileiro abordasse com eficiência o assunto. Afinal, a discussão sobre tal assunto, quando acontece, é superficial, uma vez que o currículo escolar organiza os saberes para que sejam utilizados em vestibulares, não como convivência social e coletiva. Sendo, até mesmo, um preconceito naturalizado por professores e alunos. Tal fato fica evidente ao analisar um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o qual afirma que nas escolas públicas 54% dos alunos com sobrepeso sofrem bullying. Já nas escolas particulares esse número sobe pra mais de 60%. Dessa forma, fica evidente a necessidade de mudança desse quadro nas instituições educacionais brasileiras.

Em segundo plano, analisa-se a negligência da mídia, a qual constantemente exibe modelos de corpos magros como exemplos de bonitos e saudáveis, e o corpo acima do peso como doente, descuidado e, muitas vezes, inferior. Segundo o filósofo e sociólogo francês Pierre Bourdieu “aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica”. Trazendo ao século XXI, é notório a contradição da afirmação do filósofo com a indústria da mídia, a qual torna-se mecanismo de opressão, uma vez que é excludente a diversidade de corpos, trazendo um padrão ideal magro e, muitas vezes, inalcançável. Dessa maneira, contribuindo para a permanência da gordofobia, visto a influência midiática negativa sobre corpos acima do peso.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para a resolução dessa discriminação. Primeiramente, cabe ao Ministério da Educação, responsável pela formação infantil à superior, por meio de uma alteração no currículo escolar, introduzir a problemática da gordofobia, tratando não apenas de forma superficial, com o objetivo de criar alunos conscientizados e, dessa forma, diminuir os preconceitos. Cabe, também, as mídias sociais, como instagram, facebook, twitter e, também, as mídias televisivas, juntamente com o Ministério da Saúde, realizar posts e campanhas que relatem as consequências de comentários gordofóbicos e, além disso, realizar propagandas com diversidade de corpos, colaborando assim, com a inclusão dos indivíduos com sobrepeso. Somente dessa maneira, a gordofobia deixará de ser uma problemática na sociedade brasileira.