Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 08/11/2021

“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de relações sociais, a gordofobia funciona como uma gota de sujeira poluidora. Nesse prisma, fatores como um pensamento banal e a falta de prioridade governamental impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.

Em primeira análise, um raciocínio trivial sobre o preconceito contra pessoas sobrepeso mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Segundo Hannah Arendt, na teoria da “banalidade do mal”, “o ato preconceituoso passa a ser feito de forma inconsciente quando os indivíduos normalizam tal situação”, comparando com a discriminação de pessoas acima do peso por não seguirem modelos - corpo magro- estéticos impostos socialmente. Por esse ângulo, a origem dessa normalização reside em diversos meios informacionais que atingem os cidadãos - filmes, propagandas - e constroem padrões estéticos a serem seguidos, onde não há espaço para diferenças, enraizando culturalmente julgamentos e preconceitos velados, por exemplo. Por isso, se essa banalidade não for combatida, o coletivo permanecerá em um “repouso irracional”, ou seja, não reflete sobre ações que melhorem a convivência social, acarretando confrontos nas relações interpessoais.

Em segunda análise, a carência de prioridade do órgão máximo da justiça apresenta-se como outro fator dificultador do bem-estar civilizacional. Conforme Thomas Hobbes, na teoria do contrato social, “o governo deve garantir o bem-estar integralmente”, ou seja, ele deve proporcionar condições e benefícios civilizatórios a todo coletivo. Nesse quesito, o Estado não aplica essa máxima, na prática, visto que muitas pessoas sofrem de peso excessivo, assim como violências morais, referentes à aparência, não realizando ações afirmativas, como educação alimentar, para reverter essa situação. Com isso, se essa negligência governamental em tratar casos de obesidade no Brasil não for abolida, mais indivíduos sofrerão com a saúde física e mental fragilizada.

Portanto, medidas são necessárias para evitar que a gordofobia seja dominante no país. Por conseguinte, cabe à escola realizar palestras, ministradas por psicólogos, com o “slogan”: “Gordobia não deve existir”. Esse projeto pode ser feito mediante um diálogo entre o público presente e o especialista sobre casos de preconceitos contra seres sobrepesos, de modo a ensinar a resiliência e a empatia para agir perante relações sociais, com infográficos e exemplos, para que as pessoas reflitam sobre seus atos e sejam ativistas de melhores condições de existência sociável, resultando na plantação de sementes de ideais que germinarão em teorias de desenvolvimento civilizacional.