Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 04/11/2021
Na obra “O grito’’, de 1893, o renomado pintor francês Edvard Munch utiliza cérebres nuances de pinceladas para retratar o medo na expressão facial do protagonista. Mais de 120 anos depois, esse sentimento se faz presente no semblante populacional em razão ao preconceito existente com os brasileiros acima do peso, inclusive oriundo da falta de debates. Sob esse viés, convém enaltecer, o estigma histórico-social do físico e a fragilidade mental das pessoas como dois fatores contribuintes para formação do contexto nocivo. Logo, é necessário rever a situação e as ações para solucionar as vicissitudes acima e garantir bem-estar a todos.
Nessa perspectiva, o desenho simétrico retratado por Leonardo da Vinc na pintura, ‘‘O homem vitruviano’’, foi erroneamente usado como padrão de beleza. Seguindo essa linha, muitos indivíduos não souberam interpretar a expressão artística e exaltam os corpos esculpidos nas academias e repudiam os outros diferentes da tela. De fato, atualmente, o preconceito enraizado nessa beleza propicia ataques discriminatórios, como a gordofobia, já que socialmente o excesso de gordura não é bem visto, assim, ocorre a distinção no cotidiano. Diante disso, mais de 48% dos obesos são excluídos diariamente, seja por xingamentos, piadas ou seja por violências físicas, conforme os dados do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Sob essa ótica, destaca-se, que a vulnerabilidade psicológica acarreta graves intempéries, por exemplo o isolamento social e a baixa autoestima. Nesse raciocício, a falta de tratamento médico aliada à perfeição ilusória da internet, uma vez que há a edição das imagens nesse meio, fomenta o aumento de patologias, como a depressão, a ansiedade e a compulsão alimentar. Desse modo, ressalta-se, que a frustração e a baixa autoestima criam um cenário semelhante ao ideal de Gilles Lipovetsky, o qual afirma que a tecnologia cria uma corrida desendreada e um mundo hipertrófico de inseguranças.
Portanto, diante dos fatos supracitados, percebe-se que a discriminação aos gordos além de ser desrespeitosa acarreta graves consequências no bem-estar. Então, urge das instituições formadoras de opiniões, tais como escolas e universidades, em parcerias com ONG’s(Organizações não Governamentais), realizar palestras e discussões socioeducativas para comunidade, no intuito de desmisitificar o padrão de beleza, estimular o auto-cuidado e incentivar a empatia. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde, com o conveniente auxílio das empresas tecnológicas, como Instagram, formular publicidades explicativas aos usuários com o fito de promover a aceitação e incitar postagens reais. Desse modo, o sentimento expresso no quadro expressionista não existirá nos rostos das pessoas em decorrênica à realidade igualitária e livre de preconceitos corporais no Brasil em pleno século 21.