Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 08/11/2021

Para Platão, filósofo grego da Antiguidade, a qualidade de vida ultrapassa a própria existência, pois, para ele, o importante não é viver, mas viver bem. Sob tal ótica, a prática da gordofobia, sobretudo na sociedade brasileira, é um obstáculo ao estabelecimento desse ideal na vida de grande parte da população, o que configura um grave problema social. Isso se explica não só pela padronização corporal, mas também pela ignorância sobre a condição de sobrepeso.

A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da homogeneização estética no Brasil. Quanto a isso, segundo o escritor George Orwell, as mídias exercem extrema influência sobre as massas populares. Nesse sentido, verifica-se a colocação do autor britânico por meio da existência de propagandas que circulam nas redes televisivas e digitais que moldam estereótipos de beleza no imaginário das pessoas e fomentam um ideal de que há um tipo corporal a ser seguido, quase utópico, em detrimento de outros. Em virtude disso, esse cenário vai de encontro com a individualidade e com a diversidade e exclui as pessoas gordas, as quais, por não se encaixarem nesses padrões, são vítimas dos mais diversos ataques, como xingamentos, piadas e bullying .

Outrossim, a discussão em curso deriva ainda da desinformação da população acerca da obesidade e do sobrepeso. A esse respeito, segundo a escritora norte-americana Helen Keller, “o resultado mais sublime da educação é a tolerância”. Nesse viés, com o insuficiente investimento governamental em políticas de conscientização do povo, há tendência de um olhar de intolerância e com prejulgamentos sobre os gordos, o qual resulta na prática da gordofobia em muitas ocasiões. A exemplo disso, está a visão baseada no senso comum que supõe que uma pessoa gorda é desleixada com a sua saúde, que se alimenta mal e não se cuida, mas desconsidera outras variáveis, como a possibilidade de existência de algum distúrbio hormonal, emocional ou psicológico que dificulte a manutenção de um corpo sadio.

Portanto, de modo a encerrar a prática da gordofobia na sociedade brasileira, medidas exequíveis são necessárias. Primeiramente, compete às emissoras televisivas e aos detentores dos veículos de comunicação o estímulo à publicidade que promova a diversidade corporal. Isso deve ser feito por meio do investimento em propagandas - as quais devem conter a presença de modelos que representem os mais variados tipos corporais - que incluam as pessoas acima do peso dentro do ideal de beleza, a fim de que não haja mais a noção de um modelo a ser seguido, mas exista a convicção de que cada corpo é diferente entre si. Ademais, compete ao Ministério da Comunicação a veiculação de informações acerca da condição de sobrepeso, para que, ao invés de prejulgar, a população esteja mais bem informada e saiba como lidar com os indivíduos que precisam de ajuda para restaurar a saúde.