Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 10/11/2021
A Constituição brasileira de 1988 diz que o pleno bem-estar é um direito de todos. Infelizmente, porém, tal máxima não se aplica a grande parte da população contemporânea do país, em especial aos que sofrem com a gordofobia. Dessa forma, faz-se necessário discutir o papel da mídia na construção e perpetuação de esteriótipos negativos sobre as pessoas gordas, além do respaldo de tal preconceito na saúde mental desses indivíduos.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar a imposição de padrões de beleza pelos veículos midiáticos como grande alicerce à gordofobia no Brasil. Isso acontece, pois devido a manutenção de uma mentalidade voltada ao lucro, a mídia cria e divulga esteriótipos - muitas vezes negativos - de acordo com os seus interesses, se preocupando mais com o ganho econômico, que com os danos que suas ações podem causar à sociedade. Tal pensamento é compartilhado pelo jornalista brasileiro José Arbex, o qual cita a existência hegemônica de programas de TV que ridicularizam grupos de pessoas - dentre essas, a população gorda - que não se adequam ao padrão de beleza vigente, depreciando-as a fim de obter maior audiência. Assim, a gordofobia, triste chaga vivenciada no Brasil, mostra-se como uma consequência direta de um sistema carente de empatia e de ética que põe o dinheiro acima das relações interpessoais.
Ademais, tais atos de intolerância atuam como responsáveis pela manutenção negativa do estado de saúde mental dessas pessoas na sociedade brasileira. De acordo com estudos realizados pelo Ministério da Saúde, 3 em cada 4 brasileiros já sofreram ou sofrem com alguma doença mental, como a ansiedade e a depressão, sendo uma das principais causas disso a pressão imposta pela sociedade sobre o indivíduo.
Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que combatam efetivamente tal problemática na sociedade brasileira. Assim, o Poder Executivo Federal - responsável pela administração dos interesses públicos - , mais especificamente o Ministério da Saúde, deve criar campanhas de combate não só à gordofobia, mas à aversão aos corpos fora dos padrões impostos pela sociedade contemporânea. Isso ocorrerá por meio de um Projeto Nacional de Apoio à Diversidade dos Corpos, o qual será responsável por, por intermédio das mídias socialmente engajadas - como as redes sociais e a televisão -, veicular materiais audiovisuais sobre a importância do respeito aos mais diversos tipos de físicos encontrados no mundo, além de objetivar, também, a extinção do estigma de que todas as pessoas gordas são doentes. Esse projeto será feito, a fim de que haja, enfim, a garantia do bem-estar social e físico à toda população. Afinal, esse é um direito garantido há mais de 30 anos pela Constituição do país.