Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 11/11/2021
“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de relações sociais, a falta de debate sobre a gordofobia funciona como uma gota de sujeira poluidora. Nesse prisma, fatores como a carência de informações e um pensamento banal impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.
Em primeira análise, uma restrição de acesso ao conhecimento mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Segundo Arthur Schopenhauer, “os limites do campo de visão das pessoas determinam sua compreensão acerca do mundo”. Nessa fala, o filósofo justifica a causa da problemática: se os indivíduos não possuem informações suficientes sobre como denunciar casos de discriminação contra pessoas acima do peso, o campo de visão será afetado. Por esse ângulo, a sociedade persistirá em um “repouso irracional”, ou seja, não possui reflexão racional que permita um debate possibilitador de mudanças sociais para as vítimas da gordofobia, por exemplo, persistindo uma realidade segregadora de relações humanas frágeis. Com isso, a informatização do coletivo é essencial para que o campo ótico de Schopenehauer seja amplo.
Em segunda análise, um raciocínio trivial sobre ideias preconceituosas contra obesos e gordos apresenta-se como outro fator dificultador do bem-estar social. Conforme Hannah Arendt, na teoria da “Banalidade do mal”, “o ato preconceituoso passa a ser feito de forma inconsciente quando os indivíduos normalizam tal situação”. Essa frase pode ser comparada com concepções cotidianas e discriminatórias contra pares com sobrepeso, como piadas e violências verbais, originadas de um enraizamento cultural instituído por anos de propagandas e programas televisivos que criavam modelos estéticos – corpo magro – ideais. Por isso, se o coletivo não combater essa trivialidade, mais pessoas sofrerão com discriminações e preconceitos normalizados pela falta de discussão e ativismo contra o senso comum, acarretando em um país segregador e desigual.
Portanto, medidas são necessárias para reverter a gordofobia brasileira. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Saúde realizar ações afirmativas com o “slogan”: “Denuncie a gordofobia”. Esse projeto pode ser mediante investimentos monetários na criação de portais instrucionais e informativos para ensinar pessoas a denunciar casos de segregação social contra indivíduos com sobrepeso, de modo a diminuir preconceitos e proporcionar qualidades de vida melhores, resultando na informatização da população e uma reflexão em cada brasileiro sobre seus atos referentes ao assunto de saúde física. Dessa forma, a limpeza do grande oceano e um campo de visão amplo tornar-se-ão destinos certos.