Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 10/11/2021

A palavra gordofobia está atrelada a uma ideia de discriminação com alguém que está acima do peso. Por muitas vezes, esse tipo de conduta ocasiona, infelizmente, danos psicológicos e físicos em quem é atingido. Somado a isso, existe uma banalização acerca desse preconceito em diversos lugares, inclusive no Brasil. Nesse sentido, convém analisar que uma das principais causas para esse problema é a padronização da estética e os estigmas enraizados em uma sociedade preconceituosa.

Nessa perspectiva, uma noção atribuída a um corpo bonito é a de que ele precisa ser magro, mesmo que não esteja saudável. Conforme apresentado no filme “A Casa Monstro”, uma das personagens sofria diversos insultos de crianças em relação à aparência do seu corpo, consequentemente, suas relações interpessoais são afetadas. Ademais, nota-se também que, mesmo de forma velada, existe uma imposição de um padrão corporal, seja em animações infantis, seja na mídia, por meio de comentários ou piada. Isso leva não só a uma opressão das pessoas que se referiu na mesma situação da personagem, como também a uma sensação de inferioridade ou anormalidade.

Além disso, o fato de alguns desenhos apresentarem noções preconceituosas sobre as pessoas acima do peso, só reforçam os estigmas presentes na sociedade. Por mais que uma gordofobia causa danos à autoestima, contribui para o desenvolvimento de ansiedade e depressão ou para o surgimento do bullying, não parece ser suficiente para evitar esse tipo de problema. Consoante um estudo realizado pela Nature Medicine, cerca de 19 a 42% dos adultos obesos já sofreram discriminação por conta do seu peso, isso se justifica porque foi atribuído uma noção de que é esteticamente feio. Logo, é condicionado que eles precisam de ajuda, pois, de alguma forma, são vistos como menos capacitados e enfatizam o ato de emagrecer como o único solucionador do problema.

Torna-se evidente, portanto, que a sociedade brasileira impõe padrões que muitas vezes auxiliam na criação de percepções estigmatizadas sobre a população obesa. Dessa forma, os veículos midiáticos devem estimular uma maior visibilidade a essas pessoas que atendem aos preconceitos, por meio de revisão como quais contar histórias vivenciadas por aqueles que passaram por algum tipo de discriminação. A fim de incentivar que outros façam o mesmo e conscientizar sobre os malefícios causados ​​às vítimas. Além das escolas que precisam criar que desmistifiquem a ideia de “padrão estético” para que as crianças não reproduzirem os padrões preconceituosos no futuro formando um Brasil mais justo.