Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 11/11/2021

Na obra “O grito’’, de 1893, o renomado pintor francês Edvard Munch utilizou célebres nuances de pinceladas para retratar o medo nas linhas faciais do protagonista. Mais de 120 anos depois, esse sentimento se faz presente no semblante populacional em razão do preconceito existente com os brasileiros acima do peso, inclusive oriundo da falta de debates. Sob essa ótica, convém enaltecer o estigma histórico-social do físico e a fragilidade mental das pessoas como fatores contribuintes para  a formação do contexto nocivo. Logo, é inprescindível rever as ações e a situação para solucionar as vicissitudes acima e garantir qualidade de vida a todos.

Nessa perspectiva, ressalta-se a existência de padrões de beleza na sociedade há décadas. Por exemplo, no Renascimento, o artista Leonardo da Vinc por meio da pintura, “O homem vitruviano’’, ilustrou o corpo humano milimetricamente simétrico. Nesse tocante, desde então muitos indivíduos não souberam interpretar a expressão artística e elegeram esse padrão corporal. Diante disso, o preconceito aliado ao paradigma enraizado fomenta ataques discriminatórios, como a gordofobia, já que exalta os físicos esculpidos nas academias e repuldia os outros diferentes. Então, sob o pretexto da gordura não ser bem vista, mais de 48% dos obesos são excluídos no país, seja por xingamentos, piadas ou por agressões, consoante dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica).

Sob esse viés, destaca-se que a vulnerabilidade psicológica acarreta graves intempéries, tais como o isolamento social e a baixa autoestima. Nesse raciocínio, a falta de tratamento médico associada à perfeição ilusória da internet ocasionam o aumento de patologias mentais. A título de exemplo, a depressão, a ansiedade e a compulsão alimentar. Desse modo, percebe-se que a insatisfação com o real e a não aceitação social criam um cenário semelhante à ideia de Gilles Lipovetsky, a qual afirma que a s redes sociais criam uma corrida desenfreada à padronização e um mundo hipertrófico de inseguranças.

Portanto, diante dos fatos supracitados, nota-se que a discriminação aos gordos, além de ser desrespeitosa, resulta em consequências ruins no bem-estar deles. Assim, urge das instituições formadoras de opiniões, tais como escolas, em parceria com ONGs (Organizações Não Governamentais), mediante encontros semanais, fazer palestras socioeducativas à comunidade, no intuito de desmistificar o modelo de beleza, instigar a adoção de terapias e incitar a empatia. Outrossim, cabe ao Estado, com o auxílio das empresas tecnológicas, como o Instagram, por intermédio de reuniões, formular publicidades aos usuários, a fim de apoiar a aceitação e instigar postagens reais. Dessa forma, a emoção ilustrada no quadro expressionista não existirá nos rostos das pessoas atuais.