Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 13/11/2021
A influenciadora digital e transexual Ygona Moura era frenquentemente vítima de piadas gordofobicas e mesmo com a sua morte, no começo de 2021, inúmeros internautas sem a menor empatia, continuaram a satirizar sua aparência e seu corpo. Nese ínterim, a historia de Ygona é mais uma exposição da cólera humana e uma realidade na qual muitas pessoas acima do peso tendem a enfrentar todos os dias, pois no Brasil a gordofobia é fruto da falta de empatia social e de um ideal de corpo físico estabelecido pelo senso comum.
Nesse cenário, o preconceito com pessoas acima do peso é um produto da falta de sensibilidade social, assim sendo, as pessoas tendem a cometer atos de malévicos contra os seus semelhantes sem se sentirem culpadas. Essa problemática atribui razão ao filósofo Thomas Hobbes, que em seu livro ‘‘O leviatã’’, destaca que a essência humana é naturalmente má, as pessoas não estariam aptas a conviver uma com as outras sem ocasionar mal à si mesmas ou se colocar no lugar de outro indivíduo. Sob esse prisma, a gordofobia no Brasil é fruto da falta de empatia de uma sociedade de natureza não boa.
Somado a essa problemática, o senso comum estabelece um padrão de beleza, no qual, apenas os corpos de pessoas magras são considerados bonitos e tendem a menosprezar ou até satirizar indivíduos acima do peso, como o caso da influenciadora Ygona Moura. Nesse espectro, para o filósofo Imannuel Kant, a o juízo social coletivo é diretamente responsável por moldar e influênciar a índole de uma criança que passa a assimilar esses hábitos e opiniões como verdadeiros. Assim sendo, numa sociedade gordofóbica, como a brasileira, os pequenos são ensinados que apenas seres humanos com o peso dentro do considerado padrão são aceitaveis e merecem respeito. Eventualmente, ao crescer, sem a ação de um agente interventor, dificilmente descontruirão esses conceitos e ainda os passarão adiante para a próxima geração, perpetuando um ideal errôneo de magreza no Brasil.
Em suma, o errôneo juízo de valor de uma sociedade inteira contribui para a perpetuação da gordofobia no Brasil e medidas precisam ser efetivadas para mudar esse cenário social. Portanto, intervir cabe ao Ministério da Educação, órgão diretamente responsável por coordenar toda o processo pedagógico do país, acrescentando nas escolas, bibliotecas, universidades e outras instituições de ensino, palestras e aulas sobre a diversidade corporal e a beleza de cada indíviduo, descontruíndo padrãoes de beleza pré-estabelecidos, através de profissionais especializados no tema, como professores de educação física, modelos fora do padrão, psicológos e nutricionistas, criando um novo conceito social. Por consequente, através da educação libertadora, como proposta pelo pedágogo Paulo Freire, preconceitos e barreiras serão ultrapassados e a gordofobia será mitigada no país.