Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 15/11/2021
Na série “Friends”, Mônica Geller é uma personagem que passa por um processo de emagrecimento (forçado) por ter sofrido gordofobia durante toda sua juventude. De forma análoga, fora da ficção, a gordofobia - denominação dada ao preconceito com pessoas gordas - configura-se como uma questão social no Brasil. Nesse sentido, a problemática apresenta como causas a mentalidade social - permeada pela “cultura da magreza” - e a falta de representatividade gorda.
Em primeira análise, de acordo com o ideário marxista, a economia determina o pensamento e o comportamento antrópico. Nesse ínterim, ao analisar desfiles e campanhas publicitárias de grandes marcas do ramo “fashion”, é possível concluir que a indústria da moda tem como enfoque o corpo magro - e praticamente invisibiliza a população gorda. Assim, devido a esse fator, perpetuou-se a “cultura da magreza” entre a sociedade pós-moderna, com a forma física “enxuta” tendo sido estabelecida como norma a ser seguida. Sob essa ótica, tal cultura vai ao encontro da gordofobia, posto que marginaliza a parcela da comunidade que não se encaixa na norma imposta.
Em segundo plano, a falta de representatividade gorda configura-se como um percalço no combate à gordofobia. Nesse contexto, segundo a autora Rupi Kaur, “representatividade é vital”. Desse modo, depreende-se que a quase ausência de gordos em campanhas publicitárias e papéis de destaque em obras televisivas, por exemplo, fortalece o ideário gordofóbico de que o “corpo farto” deve ser marginalizado por não corresponder ao “padrão”.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Isto posto, urge que as mídias - veículos de grande alcance nacional - atuem no combate a gordofobia, por meio da concessão de maior representatividade às pessoas gordas, afim de romper com a “cultura da magreza” em seu cerne e alterar a mentalidade social. Dessa forma, será possível reduzir a ocorrência de histórias como a Mônica Geller na vida real.