Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 16/11/2021

No filme “O Amor é Cego” há o retrato de um homem que se apaixona por uma mulher apenas pelo o que ela é e não pelo o que ela aparenta. No conteúdo do romance, a mulher, uma pessoa acima do peso, é hostilizada e discriminada pela sua aparência. Nesse cenário, o contexto cinematográfico condiz com a realidade da gordofobia no mundo, principalmente no Brasil. Neste, surge a problemática do preconceito com pessoas com excesso de peso, seja pela desinformação de muitos indivíduos, seja pela ceguidade ética que existe na sociedade.

Sob esse viés, a falta de educação e conhecimento do que é o respeito ao ser humano a às suas diversidades contribui para que preconceitos e discriminações surjam. Nesse contexto, como retrata Paulo Freire, filósofo brasileiro, a educação é uma forma de libertar e emancipar cada pessoa para sua humanização. Nessa perspectiva, a ausência da educação faz com que o preconceito seja uma característica inerente à sociedade de hoje, pois, com a falta de instrução, a maioria das pessoas destila ódio e trata mal o outro por se achar superior. Visto isso, como consequência, segundo dados da revista científica Nature Medicine, quase 50% das pessoas obesas sofrem discriminação. Portanto, a ausência de conhecimento reflete pessoas preconceituosas que não respeitam seres diferentes delas.

Em segunda análise, a gordofobia passa pela ignorância social de muitas pessoas pelo fato de não se importarem com o sofrimento do outro. Acerca disso, como retrata Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a cegueira moral, uma forma de parcela da população ignorar os problemas da sociedade, ajuda no aumento da dor dos indivíduos que sofrem discriminações. Sobre isso, o preconceito permite o crescimento dos casos de depressão, de ansiedade, de isolamento social, de estresses etc. Com isso, as pessoas acima do peso se sentem ainda piores quando, alguém dito com um peso normal, oprime e caçoa delas. Assim, a ignorância sobre o problema alheio aumenta o preconceito e a distância moral e cívica entre os humanos.

Dessa forma, a aversão aos indivíduos com sobrepeso passa tanto pela falta de educação de algumas pessoas, quanto pela indiferença de uma parcela da população frente os problemas sociais. Diante disso, o Estado brasileiro, por meio do Ministério da Educação, deveria criar normas curriculares, seja em filosofia, seja em educação física, a fim de ensinar para os estudantes sobre a diversidade, o respeito e a conscientização do que é o ser humano. Ademais, os alunos, com mais conhecimento, conseguirão respeitar seus colegas e o preconceito sobre as pessoas com mais peso irão diminuir. Logo, por conseguinte, essas pessoas não passarão por muitas discriminações e poderão viver mais tranquilas e saudáveis no contexto social brasileiro mais equânime e instruído.