Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 17/11/2021

Na Idade Média, os padrões de beleza estavam relacionados aos indivíduos mais corpulentos pois, em razão da grande miséria e fome, apenas os mais abastados detinham o acesso à comida e tornavam-se ícones sociais. No entanto, as sociedades pós-modernas adotaram a magreza como perfeição, fato que gera a gordofobia -exclusão de indivíduos que não se encaixam nesse parâmetro. Tal prática, que possui várias manifestações, é frequente no Brasil devido à supervalorização da imagem e à impunidade e, por ocasionar danos graves nas vítimas, necessita de soluções imediatas e eficazes.

Em primeiro lugar, deve-se dizer que a valorização da imagem em detrimento do conteúdo é um terrível estimulador da gordofobia pois, uma vez que o indivíduo não apresenta um corpo idealizado, ele fica a margem da sociedade. As campanhas publicitárias, assim como os desenho de roupas populares, contribuem para a hostilização da aparência dos gordos, uma vez que não garantem a representatividade dessa população, ainda que sejam maioria no país - segundo  o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os obesos são 60% da população. Isso reflete a sociedade do espetáculo, explicada pelo sociólogo Guy Debord como uma elite social que dita as normas baseada em imagens -muitas vezes, falsas - e os outros ignoram a realidade e seguem essas regras. Contudo, não é coerente que um país democrático permita tamanha segregação, ainda mais, baseada em aparências.

Em segunda análise, além da imposição da sociedade, o governo também é participante da gordofobia, visto que não pune os preconceituosos. Apesar das discriminações se enquadrarem nas acusações de danos morais, apenas em 2021 foi concluído o primeiro processo por aversão à obesidade, em favor da bailarina Thaís Carla. Além de tardia, a resposta aconteceu com uma famosa celebridade e ativista da causa, o que indica que a decisão foi favorável devido a visibilidade do caso.  Dessa forma, sem castigos pertinentes, os agressores não encontram obstáculos para menosprezar pessoas acima do peso. Logo, cabem soluções governamentais que possam reverter essa situação.

Fica evidente, portanto, que a gordofobia é crescente no Brasil em consequência da fetichização dos corpos e da falta de punição contra tal discriminação. Para amenizar esse dilema, o Ministério da Cidadania, órgão responsável pelas políticas sociais, deve combater a idealização do corpo, por meio de campanhas publicitárias com representatividade de obesos nas redes sociais, com o objetivo de reduzir esse tipo de preconceito. Além disso, esse órgão deve pleitear punições específicas e mais severas para os gordofóbicos, como a indenização por tratamentos psicológicos decorrentes da violência praticada. Somente assim, ainda que os padrões de beleza sejam modificados aos longo dos períodos históricos, o respeito ao homem subsistirá.