Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 17/11/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito incondicional à saúde e ao bem-estar social. Contudo, ao analisar os altos índices de gordofobia, ou seja, aversão à gordura e pessoas acima do peso, vê-se que uma parte da população é impedida de desfrutar desse direito universal na prática. Isso gera segregação social, além afetar negativamente o emocional das vítimas. Quanto às causas, pode-se apontar dois fatores que contribuem para a eclosão desse quadro: o déficit educacional e a insuficiência legislativa.

De início, sabe-se que a educação é o principal fator na economia de um país, e, ocupando a décima terceira posição na economia mundial pelo ranking do IBGE em 2020,seria plausível afirmar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Em contrapartida a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido no desrespeito e na falta de ética por parte da população para com indivíduos acima do peso, que acabam sendo segregados na sociedade. Visto isso, convém mencionar a citação do filósofo Immanuel Kant, que diz: “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele” Refletindo sobre esse conceito, entende-se que parte da solução para a gordofobia passa pela melhoria do conteúdo didático da educação popular básica.

Ademais, faz-se relevante salientar a falta de programas sociais específicos como impulsionadora do problema, visto que a ausência desses dispositivos dificultam não somente o tratamento patológico mas também a integração e aceitação de obesos na sociedade dita “normal”. Como revela uma pesquisa do IPO (Instituto de Pesquisa e Opinião), de Janeiro de 2021, aproximadamente 65% dos obesos no Brasil não se sentem acolhidos socialmente, e ainda, por vezes são discriminados. Diante desse contexto, constata-se ser fundamental a criação de programas públicos de tratamento contra a obesidade e plataformas de educação e acompanhamento psicológico objetivando a erradicação da gordofobia.

Logo, sendo o déficit educacional e a insuficiência legislativa fatores responsáveis pela eclosão desse quadro, medidas para o contorno são: a inclusão de educação de ética e de direitos civis nas escolas, e a criação de programas sociais de saúde para tratamento de indivíduos obesos. Tais objetivos podem ser alcançados por meio de parcerias entre os Ministérios da Saúde e Educação e o Estado, que juntos devem discutir, em conferências planos e meios para intervirem, solucionando de forma definitiva a saúde e o conforto coletivo de indivíduos acima do peso. Somente assim o Brasil poderá erradicar a gordofobia.