Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 17/11/2021

Vênus de Willendorf, uma estatueta esculpida na Antiguidade, era considerada o padrão de beleza da época. Todavia, na contemporaneidade, existe o preconceito contra as pessoas mais gordas, o qual é denominado de gordofobia, fenômeno que viola a dignidade de diversos indivíduos. Nesse viés, dois fatores devem ser analisados: a associação entre cidadão gordo e doença e a ideia de que essas pessoas não podem ser consideradas bonitas.

A priori, é importante ressaltar o quanto considerar toda pessoa acima do peso, como um indivíduo doente colabora para a gordofobia no Brasil. Constata-se essa realidade por meio de um vídeo publicado pela atriz Mariana Xavier, a qual conversa com diversas pessoas e mostra diversos comentários preconceituosos, os quais atrelam, de maneira indissociável, peso e doença. Diante do contexto, uma das entrevistadas afirma que, em parte, esse fator influencia no processo de adoecimento do indivíduo, mas não é uma regra, nem todo indivíduo acima do peso é doente, bem como nem toda pessoa magra é saudável. Isto é, é necessário educar a população para coibir generalizações que estimulam a gordofobia.

Outrossim, é válido mencionar que o padrão de beleza vigente na sociedade ratifica ainda mais a gordofobia no país. Um exemplo disso é observado pelo fato de que a “globeleza”, a qual, em teoria, representa a mulher brasileira, sempre segue o padrão de magreza socialmente aceitável. Nesse sentido, percebe-se que enquanto a própria mídia expor apenas pessoas magras como sinônimo de beleza, a sociedade continuará incorporando a ideia de que gordo é feio. Por conseguinte, vê-se que é urgente a necessidade de incluir indivíduos acima do peso na representatividade televisiva, não só para que outras pessoas se sintam representadas, como também para desconstruir os preconceitos enraizados na nação Verde-Amarela.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para coibir a gordofobia no Brasil. Para isso, cabe à Secretaria Especial de Comunicação Social (SECOM) elaborar propagandas televisivas de combate a essa celeuma. Isso deve ser realizado por meio da divulgação de dados, os quais mostrem que nem todo indivíduo gordo é doente, a fim de desmistificar esse pensamento entre os cidadãos. Atrelado a isso, a SECOM deve estabelecer regras de representação social nas mídias, isso deve ser feito por meio de relatórios que comprovem a inclusão de pessoas fora do “padrão de beleza” nas publicidades, a fim de descontruir a ideia de que apenas o “magro” é bonito. Diante de tais feitos, as “Vênus de Willendorf” do século XXI serão tão respeitadas quanto as da Antiguidade.