Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 18/11/2021

A Constituição Federal de 1988, lei fundamental e suprema do Brasil, prevê em seu artigo 5°, o direito à igualdade como essencial a todos os cidadãos brasileiros e estrangeiros que residem no país. Contudo, tal privilégio não tem se destacado com ênfase na prática quando se observa o debate sobre a gordofobia no Brasil, dificultando a propagação desse direito social. Diante disso, é necessário a análise dos fatores que contribuem com essa problemática.

Em princípio, evidencia-se a omissão governamental para criminalizar o ato da gordofobia, visto que, não há nenhuma lei que puna àqueles que cometem esse crime. Sob essa ótica, a “libertade” que os agressores têm, influencia no silenciamento da vítima e o assunto acaba por esquecido. Essa situação, de acordo com o filósofo contratualista John Locke, configura-se com violação do “contrato social, já que o Estado não cumpre com a função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispenáveis, como a segurança, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar o padrão de beleza que as redes sociais vêm impondo como impulsionador desse preconceito. Consequentemente, a ideia de que existe um corpo padrão, caracterizado por uma silhueta magra, reflete nos pensamentos da comunidade no cotidiano, relacionando o corpo gordo ao desleixo e um corpo não saudável. Diante disso, surge a pressão estética e o julgamento com os que não seguem essa “regra”, logo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter esse problema. Dessa forma, cabe ao Estado, mais precisamente o Poder Legislativo, acarretar uma lei que criminalize os atos de gordofobia, fazendo com que cumpram uma pena quem praticar esse preconceito. Somente assim, o Estado desemprenha corretamente do “contrato social”, tal como afirma John Locke. Por outro lado, cabe, também, às mídias sociais divulgarem campanhas e publicações sobre a importância da autoaceitação e dos cuidados com o corpo, entre os jovens e adolescentes, que são os maiores consumidores da internet e os mais influenciáveis pela mídia. Assim , se consolidará uma sociedade mais empática.