Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 26/11/2021
Concursos de beleza tornam-se palco de uma revolução quando adolescentes acima do peso decidem concorrer ao posto de Miss. Nesse cenário, o filme americano “Dumplin” promove uma reflexão sobre os padrões de beleza estabelecidos na sociedade. No Brasil, a gordofobia persiste no tecido social, diante disso, a pressão estética da mídia e a visão depreciativa de corpos acima do peso são fatores que devem ser analisados.
Segundo o livro “Sociedade do Espetáculo”, do francês Guy Debord, as relações sociais são medidas por imagem, ou seja, as pessoas não compram um bem pelo conteúdo, mas sim pela sua representação. Nesse sentido, as empresas estabelecem o corpo magro como um padrão de beleza, por meio de cremes redutores de medida e peças de roupas que não chegam ao “Plus Size”. Logo, o tecido social atribui atitudes e comentários gordofóbicos àqueles que estão fora do padrão estético.
Além do mais, deve-se destacar a visão depreciativa atribuída aos que estão acima do peso. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, e seu conceito sobre “Banalização do Mal”, a repetição de um comportamento em um determinado ambiente tende a ser normalizado aos olhos da sociedade. Visto isso, tornou-se comum o xingamento “gordo” ser direcionado a pessoas obesas. Apesar de tal estereótipo preconceituoso, muitas pessoas acima do peso são saudáveis e felizes com o próprio corpo.
Evidencia-se, portanto, que deve haver um combate contra a intolerância ao corpo gordo e a ditadura da magreza. Para que isso seja possível, o Ministério da Cidadania, por meio da criação de um programa social, precisa elaborar um projeto contra a repulsa a pessoas acima do peso, a fim de erradicar tais atitudes da sociedade. Tal programa social deve contar com rodas de conversa para as vítimas de gordofobia, com o auxílio de um psicólogo.