Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 25/04/2022
A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 5º, o direito à igualdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando se observa o estigma associado a obesidade e a exclusão social na contemporaneidade, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante.
Primordialmente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a gordofobia no Brasil. Nesse sentido, é evidente o preconceito e a inferiorização sofridas por pessoas acima do peso. Diante disso, é possível afirmar consequências na saúde dessas pessoas, como ansiedade, compulsão alimentar e isolamento social. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como à igualdade, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a discriminação social como impulsionador da gordofobia na sociedade. Segundo a Associação Brasileira de Cirugia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) apenas 58% dos adultos obesos não sofrem com a discriminação sobre seu peso. Diante de tal exposto, é necessário que ocorra a quebra de estereótipos impostos pela sociedade a respeito do corpo ideal, as pessoas tem que ser seu próprio padrão de beleza, promovendo a aceitação corporal. Logo, é inadmissível que esse cenário de preconceito e discriminação continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater todos os obstáculos que impedem a disseminação do direito à igualdade. Para isso, é imprescindível que o governo, por intermédio do Ministério da Saúde, promova campanhas sociais - conscientização sobre a diversidade corporal - a fim de combater o preconceito e a exclusão social. Assim, se consolidará uma sociedade mais justa, de modo que o Estado desempenhe corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.