Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 11/01/2022

Mirian Bottan é uma digital influencer que, após sofrer com transtornos alimentares , começou a usar as redes sociais para compartilhar dicas so-bre autocuidado e aceitação. Sob esse viés, nota-se a relação entre os dis-túrbios supracitados e a gordofobia, visto que as vítimas desse preconceito são mais suscetíveis a adquirirem esses hábitos nocivos. Destarte, desta-ca-se a glamourização da magreza pela mídia e a banalização de atitudes hostis como fatores essenciais para a perpetuação desse prejulgamento.

Diante desse exposto, evidencia-se o papel atroz dos veículos midiáti-cos na  propagação de padrões de belezas fictícios . Nessa situação, se-gundo Adorno e Hokheimer, filósofos da Escola de Frankurt, a indústria cultural é responsável pelo cultivo de falsas necessidades psicológicas, que só podem ser atendidas por produtos do capitalismo. Dessa modo, ao definir o biótipo magro como o ideal, a mídia lucra vendendo artigos de dietas para quem está acima do peso, sem se importar com os danos físicos e psicológicos que a busca por esse corpo irreal pode acarretar.

Outrossim, a normalização de comentários gordofóbicos corrobora para o surgimento de doenças. Nesse contexto, consoante Pierre Bourdieu, so-ciólogo francês, o ato de utilizar termos ofensivos para diminuir alguém caracteriza-se uma violência simbólica, ou seja, não é necessário uma atitude agressiva para violentar outrem. Dessa forma, percebe-se no Brasil a banalização de expressões como “você ficaria bonita se perdesse alguns quilos” ou " tem um belo rosto, mas é gorda". Essas insinuações colaboram para o desenvolvimento de depressão, ansiedade, anorexia etc.

Portanto, com o intuito de combater a gordofobia, é imprescindível que o Ministério das Comunicações fiscalize a quantidade excessiva de anún-cios de técnicas de emagrecimento. Ademais, o Ministério da Educação, com o objetivo de mitigar os efeitos de falas preconceituosas, deve elabo-rar projetos pedagógicos. Assim, por meio de palestras em escolas - mi-nistradas por nutriocinistas e psicólogos - será possível conscientizar a população, para que casos como o de Mirian Bottan não se repitam.