Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 22/03/2022

Na obra literária nacional “Invisível”, Melissa é uma mulher gorda e saudável, todavia é alvo de comentários de cunho gordofóbico, vindo de pessoas as quais componhem seu círculo social. Fora da ficção, é de grande notabilidade o comportamento gordofóbico enraizado em parte do corpo social brasileiro. O culto a corpos magros desencandeia diversas ideias errôneas e pode também afetar o âmbito infantil, no qual as crianças que não possuem a estatura padrão sofrem com tal preconceito desde pequenos.

Primeiramente, a idolatria aos corpos magros é evidente no cenário nacional hodierno, no qual pessoas gordas são automaticamente questionadas sobre sua saúde e vistas como doentes. Além disso, a mídia social que está em constante crescimento possui baixa representatividade, já que os maiores influenciadores estão dentro do padrão corporal supracitado. No filme “A escolha perfeita”, a personagem “Fat Amy” nunca havia se candidatado para integrar o grupo musical de sua faculdade, por ser vítima de gordofobia entre as representantes do mesmo. Dessa forma, é nítida a influência negativa do culto à magreza na gordofobia, mesmo que de forma indireta.

Ademais, os ataques não se detém em pessoas mais velhas. As crianças também podem sofrer com tais atitudes, sejam elas comentários como “se continuar comendo desse jeito, vai virar uma bola”, até casos graves de bullying, os quais ocorrem principalmente no ambiente escolar. Tal situação resulta em diversos outros problemas, como baixa auto estima, declínio do desempenho escolar, irritabilidade social, podendo chegar até a casos depressivos e ao transtorno alimentar, o qual não acomete somente a saúde física, bem como a mental.

Em síntese, é evidente a necessidade da discussão sobre a gordofobia no âmbito brasileiro. Dessa forma, o governo, com a ação do Ministério da Comunicação e da Secretária das Publicidades, deve promover maior representatividade nos seus conteúdos midiáticos e publicitários, por meio da contratação de profissionais gordos para realizá-los, a fim de diminuir o ataque aos corpos fora do padrão de magreza, o qual é cultuado exacerbadamente.