Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 28/03/2022
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação.Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da intolerância contra pessoas acima do peso no país. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da sensação de superioriade e de uma base educacional deficitária.
Convém ressaltar, a princípio, que o sentimento de primazia é um fator determinante para a persistência do problema. Nessa perspectiva, a Teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada como base do Nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores.Assim sendo, de acordo com essa ideia, haveria seres humanos superiores, a depender de suas características. No contexto brasileiro atual, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida na questão do tratamento feito aos seres gordos. À vista de exemplo, segundo reportagem do G1, mais de 90% dos indivíduos acima do peso já sofreram algum tipo de preconceito por sua forma física. Logo, verifica-se a necessidade de medidas para extinguir tal discriminação.
Outrossim, a debilitada instrução nacional ainda é um grande impasse para a resolução da problemática.Nesse viés, para o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. De acordo com essa visão, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à fobia contra obesos, percebe-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, pois não está trazendo às salas de aula conteúdos que ajam na resolução da questão. Por conseguinte, a sociedade não apresenta noções de respeito ao outro, independentemente de sua forma.
Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre o problema. Dessa forma, o Ministério da Educação deve desenvolver palestras em escolas, a serem webconferenciadas nas redes sociais desse órgão, por meio de entrevistas com vítimas do problema e especialistas no assunto, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema e erradicar esse problema. Feito isso, as críticas de Machado de Assis não farão sentido em um Brasil futuro.