Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 05/06/2022

O filme “Dumplin’”, de 2018, retrata o cotidiano de uma jovem gorda que é filha de uma grande vencedora de concursos de beleza. Willowdean, a protagonista, é obrigada a lidar com comentários e comportamentos gordofóbicos, vindos inclusive de sua mãe, durante toda a trama. Infelizmente, a realidade atual da população brasileira acima do peso não se difere da ficcional. Desta forma, é perceptível a necessidade de colocar a gordofobia em debate visto que suas causas e consequências são já estruturais e adoecem a sociedade de forma geral.

Em primeira instância, é válido frisar a influência do padrão de beleza na construção do pensamento social. Desde a Antiguidade Clássica, é observado, através da arte, a existência de ideais físicos que, com o passar dos séculos, foram se alterando. Atualmente, com a crescente das redes sociais e outras mídias, o “corpo perfeito”, ou seja, magro e sarado, é visto e propagado a todo instante. Destarte, todo aquele que se difere da “norma” é considerado inadequado. Logo, pessoas gordas, ou seja, 6 a cada 10 brasileiros de acordo com o IBGE são ignorados e repudiados pela sociedade por meio da falta de representatividade em publicidades, obras cinematográficas e até em posições de prestígio.

Outrossim, a gordofobia gera uma série de malefícios a sociedade brasileira. Situações de preconceito e bullying somados à liquidez das relações interpessoais e de consumo defendida por Zygmunt Bauman gera um cenário propício a formação de problemas psicológicos. Pessoas gordas, ao não obterem apoio da sociedade, tendem a obter casos de baixa autoestima, depressão, transtornos alimentares e isolamento social. Além disso, profissionais da saúde com condutas e tratamentos gordofóbicos afastam pacientes em busca de ajuda médica e, até mesmo, agravam seus quadros clínicos.

Fica evidente, portanto, que é necessário mudar a relação das pessoas gordas com a sociedade e acabar com a gordofobia. A fim de alcançar essa meta, o Ministério da Saúde deve criar cartilhas e campanhas de apoio à população gorda para serem distribuídas pelo SUS nos postos de saúde e redes sociais com o intuito de transmitir informações a sociedade e pôr fim ao preconceito. Além disso, o Ministério deve também fiscalizar as condutas dos médicos com seus pacientes.