Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 24/06/2022
Cada período histórico teve seu próprio padrão de beleza. Nesse viés, entre os séculos XVI e XVIII as pessoas gordas substituíram as magras como exemplos de beleza, saúde e riqueza. Entretanto, na contemporaneidade impera a ditadura da magreza e as pessoas gordas sofrem discriminação, o que deve levar ao debate acerca da gordofobia no Brasil. Nesse contexto é importante ressaltar as causas da obesidade e o respeito à diversidade de pessoas.
Primeiramente, a obesidade pode ser causada por diversos fatores e não apenas pela ingestão exagerada de alimentos. Nesse sentido, o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua obra “O poder simbólico” preconiza que o “habitus” consiste em um padrão social de comportamento que orienta a ação dos indivíduos. Nessa perspectiva, a população em geral tende a acreditar que a causa do problema é somente a ingestão excessiva de alimentos. No entanto, a ciência atual já comprovou que a obesidade pode ter como causa diferentes fatores como, problemas endócrinos, ansiedade, estresse, entre outros. Consequentemente, trata-se de um problema multifatorial e que deve ser combatido.
Outrossim, deve-se respeitar a diversidade de pessoas existentes na sociedade. Nessa ótica, o sociólogo Gilberto Dimenstein, em sua obra “O cidadão de papel”, argumenta que a cidadania e os direitos humanos são assegurados somente no papel, mas não são efetivados. Em razão disso, muitas pessoas gordas ainda sofrem discriminação no Brasil sem que haja consequências para os seus agressores. Dessa forma, a sensação de impunidade faz com que essas pessoas se sintam livres para praticar o bullying contra crianças e adultos gordos. Isso tem como efeito a piora nos índices de discriminação e na saúde mental de pessoas gordas.
Logo, é imprescindível a tomada de soluções. Assim, cumpre ao governo, órgão responsável pelo bem-estar social, intervir legitimamente, por meio de projetos, como a ampliação de políticas públicas, com o fito de combater a obesidade. Concomitantemente, cabe ao Estado cumprir os direitos previstos na constituição, a fim de implantar efetivamente o direito à dignidade da pessoa humana. Dessa maneira, viver-se-á em uma sociedade menos gordofóbica no Brasil.