Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 09/07/2022

A Constituição Federal, no seu artigo 5º, reitera:" todos são iguais perante a lei". Entretanto, nota-se, no momento atual, a expansão de ações que se opõem a esse princípio. Nesse contexto, a gordofobia - que se caracteriza pela aversão às pessoas que estão acima do peso - expõe um tipo de comportamento discriminatório instigado pelos padrões de beleza vigente. Desse modo, é necessária a análise das causas que a provocam e os meios de erradicá-la.

Sob esse viés, acerca do panorama cultural, observa-se, desde a intensificação da globalização na década de 30, a imposição de padrões americanos na cultura ocidental. Nesse sentido, há a exportação de um modelo de beleza que exalta a pela branca, cabelo loiro e porte físico magro, representado em divas pop como a Madonna. Nesse ambiente, ocorre a definição de um padrão mundial antagônico às características étnicas brasileiras, como a pele mais escura, o corpo com mais curvas e o cabelo crespo e, dessa forma, tudo aquilo que não se adequa ao modelo imposto é considerado feio.

Por conseguinte, por esse padrão ser excludente às diferenças, a pessoa que possui maior massa corporal sofre da não aceitação social de sua condição física. Nessa perspectiva, o estigma ligado ao excesso de peso, no qual o associa a problemas de saúde - desconsiderando as características corporais do indivíduo - culminam no ponto de relacioná-lo com a inferiorização das capacidades cognitivas e laborais do sujeito. Desse modo, a pessoa acima do peso é afligida por preconceitos e discriminação que podem levá-la a ser alvo de injúrias.

Fica claro, portanto, que a gordofobia é um problema social oriunda da falta de criticidade dos cidadãos aos padrões de beleza vigente. Dessa forma, conforme afirma Immanuel Kant: " o ser humano é aquilo que a educação faz dele". Sendo assim, o Ministério da Educação deve reformular as diretrizes educacionais brasileiras a fim de incluir a discussão desses modelos nas aulas de sociologia. Com isso, espera -se que os professores orientem os estudantes de que a definição de beleza é uma concepção social e mutável, a qual não deve ser usada como fundamento para depreciar pessoas.