Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 17/07/2022
“A melhor definição que posso dar de um homem é a de um ser que se habitua a tudo”. Essa máxima é atribuída a Dostoiévski, escritor do século XIX, e exprime a tendência das condutas humanas. Contudo, torna-se um problema quando limita o ser, como a postura de aversão a pessoas com sobrepeso. Hodiernamente, o debate sobre a gordofobia no Brasil é necessário e deve ocorrer devido ao pensamento comum de existência de um único padrão corpóreo saudável.
Nesse viés, há o preconceito verificado. Sob esse aspecto, de acordo com a BBC Brasil, houve aumento expresivo de relatos de atitudes discriminatórias às pessoas gordas nos últimos anos. Com isso, como forma de luta e afirmação social, personalidades brasileiras têm dado voz à autoaceitação pública de seus corpos. Nesse sentido, houve, por exemplo, ações da célebre cantora e compositora Marília Mendonça; que trouxeram visibilidade e espaço na indústria musical às silhuetas que destoam de um corpo magro e definido. Desse modo, nota-se a existência de atitudes que visam desestimular a agressividade praticada. Logo, as discussões são imprescindíveis à descontinuidade dessa intolerância no país.
Em seguida, têm se nas pessoas com pouco percentual de gordura uma via única de associação a saúde e bem-estar. Nessa perspectiva, segundo Paulo Muzy, prestigiado médico do esporte, os indivíduos vistos como gordos não necessariamente apresentam debilidades. Nesse sentido, a obesidade e suas enfermidades danosas (colesterol alto, distúrbios de pressão e diabetes), em regra, não são íntrinsecas ao acúmulo de gordura. Todavia, os quilos a mais fomentam assimilações indevidas, haja vista o senso comum reverberado pelo “bullying”. Dessa forma, o consenso errôneo impossibilita o respeito à diversidade de pesos.
Portanto, o debate acerca da gordofóbia é essencial por consequência da imagem atrelada. À vista disso, as escolas, instuições responsáveis pela educação dos brasileiros, devem motivar debates em sala de aula sobre empatia e inclusão social. Assim, por meio do auxílio de professores e com a abertura para relatos pessoais e exortações científicas que envolvam o tema, haverá a ressignificação das concepções atuais. Dessarte, o homem terá uma nova oportunidade de se reabituar, com jus a uma de suas próprias definições.