Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 20/07/2022
Peso e preconceito
O livro “Dumplin”, da autora norte-americana Julie Murphy, expõe a gordofobia, tipo de preconceito às pessoas gordas e ao excesso de gordura. Além de segregar socialmente as vítimas, esse é um fator agravante para o aumento de peso dessas pessoas, o que leva ao crescimento da obesidade no Brasil.
Segundo um artigo publicado pelo periódico científico Nature Medicine sobre o assunto, a gordofobia gera uma série de efeitos negativos para quem a sofre. Dentre os quais, está o isolamento social, pois ainda perdura na mentalidade da sociedade o ideal de que um corpo magro é sinônimo de saúde e beleza; enquanto que indivíduos acima do peso são associados à doenças e prazer no excesso de comida. Dessa forma, o bem-estar mental deles é afetado, fazendo com que se sintam ansiosos, deprimidos e inferiores aos demais e se afastem do convívio social.
Da mesma forma, esse estigma social contribui para o aumento de casos de obesidade no país. Pois reflete diretamente na compulsão por comida e abandono de hábitos saudáveis, como atividades físicas e dietas balanceadas, gerando sobrepeso nas pessoas e ocasionando a obesidade. Assim, confirmam-se os dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), onde diz que cerca de 19 a 42% dos adultos obesos sofrem algum tipo de discriminação, sendo esta potencializada entre as crianças, por causa do bullying escolar associado ao tema.
Em síntese, tais atos de intolerância são inegavelmente nocivos à saúde pública brasileira. Por isso, o Ministério da saúde deve oferecer um atendimento especializado para esse grupo, por meio da qualificação de profissionais da área e maior acesso a medicamentos e tratamentos contra a obesidade. Pois, a partir dessa ação, a gordofobia será pouco a pouco combatida, com o propósito de garantir a saúde física e mental dos milhões de brasileiros que sofrem com os efeitos desse preconceito.