Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 10/08/2022

O conceito de “Cidadanias Mutiladas”, do geógrafo Milton Santos, explicita que a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade da população. A partir dessa perspectiva, é possível observar que a realidade contemporânea se distancia desse ideal democrático, visto que o debate sobre a gordofobia ainda é negligenciado no Brasil. Desse modo, é essencial analisar os principais propulsores desse contexto hostil: a ineficácia do Estado e a falta de consciência da comunidade.

A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa os péssimos índices de preconceito contra os gordos. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Face a isso, tem-se uma falta da lei que define a gordofobia como um crime, de forma que os preconceituosos possam ser responsabilizados de suas ações. Nessa perspectiva, para a completa refutação do sociólogo e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção do legislativo.

Outrossim, uma comunidade com um preconceito com seus próprios integrantes gordos, e não busca a evolução sobre esses empecilhos impostos, representa um retrocesso para a coletividade que preza por igualdade. Nesse sentido, na teoria da percepção do estado na sociedade, de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com seu desenvolvimento, visto que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo. Dessa forma, com a incapacidade de conscientização da população, sobre a discriminação dos gordos na sociedade, a democratização torna-se inviável.

Portanto, são necessárias medidas para ampliar o debate e a conscientização sobre a gordofobia no Brasil. Por isso, o Ministério Público deve, por meio da fiscalização da aplicação dos poderes estatais, pressionar o Estado no que se refere ao aporte ao Poder Legislativo, a fim de que as leis contra o preconceito possam ser aplicadas nas diversas regiões do país.