Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 14/08/2022
Em “Insatiable”, a personagem Patty ilustra com precisão o retrato da gordofobia. Na trama a garota sofre bullying em decorrência de seu sobrepeso, sendo que só é aceita quando retorna ao colégio exibindo um corpo padrão. Decerto, o drama vivido pela adolescente não está limitado às telas, uma vez que o debate acerca da temática se faz cada vez mais necessário. Constata-se, dessa forma, que o preconceito ligado ao excesso de peso contribui com inúmeros problemas: a perpetuação da ditadura da magreza e a negligência com a saúde de pessoas gordas, por exemplo.
A priori, vale ressaltar a gravidade do assunto. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, um a cada cinco brasileiros é obeso ou está acima do peso. Porém, apesar disso, a população dissemina um discurso arcaico, o qual carrega um viés preconceituoso e dita que o “corpo perfeito” é aquele que ostenta uma silhueta esguia. Desse modo, compreende-se que tal estigma colabora com a continuidade do ideal imposto sobre a sociedade, perpetuando o físico magro como sinal absoluto de vigor, beleza e felicidade.
Além disso, o preconceito coopera com o descaso relacionado com a saúde dos gordos. Conforme o Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística, 92% de cidadãos com sobrepeso relatam consciência quanto a gordofobia que sofrem. Nesse sentido, pode-se afirmar que a marginalização desse grupo, estimulada pela inferiorização dos indivíduos, favorece o afastamento de atividades sociais e, assim, compromete seus hábitos saudáveis ao mesmo tempo em que incentiva comportamentos inadequados, como a incidência de transtornos alimentares. Ademais, é fato que, embora a Constituição Federal de 88 assegure dignidade a todos, isso não ocorra.
Portanto, medidas são imprescindíveis para solucionar o impasse. É dever da mídia, por ser o meio transmissor de informações mais acessível às massas, disponibilizar produções culturais que valorizem a diversidade, com o objetivo de desconstruir a concepção antiquada inerente ao padrão preestabelecido socialmente. Fora isso, palestras precisam ser levadas ao público, para promover discussões elucidativas sobre o tema. Só assim a humanidade poderá evoluir.