Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 25/09/2022
Nas sociedades antigas, como a Mesopotâmia, a obesidade era definida como medida do acesso à alimentação e, por consequência, à riqueza. Nessas culturas primordialmente agrícolas, criava-se o desejo de atingir tal padrão físico porque, uma vez atrelado a reis e nobres, ser obeso garantia um título compartilhado pela elite. Na contemporaneidade, contudo, a situação das pessoas mais gordas não se relacionou mais à riqueza como na Mesopotâmia, mas a um preconceito físico que passou a desvalorizar, humilhar e inferiorizar. Dessa forma, devem-se analisar as causas e as consequências da gordofobia no Brasil.
Em primeira análise, é importante notar que somente o corpo magro é definido como saudável na atualidade. Nesse sentido, já que institucionaliza-se um padrão de corpo coletivamente aceito, o que foge a tais características é estigmatizado em um processo estrutural e cultural. A ilustrar, no livro “A Senhora”, o autor José de Alencar destaca, em tom irônico, a personagem Dona Firmina como possuidora de uma “gordura semissecular”, mostrando já no século XVIII o preconceito sobre a pessoa obesa. Para além disso, ser saudável vem sendo usado como justificativa para inferiorizar o indivíduo gordo, de modo que o sofrimento se torne o caminho para perder peso. Destarte, é preciso que preconceitos sejam revistos.
Consequentemente, variados problemas sociais e emocionais surgem tanto no coletivo quanto na própria vítima. Nessa linha, no livro “Lute como uma gorda”, a filósofa Malu Jimenez afirma que o preconceito compromete a saúde daquele que sofre o estigma. Essa relação passa a ser mais tênue quando os próprios direitos da vítima, como acesso a determinado local, são cerceados, de maneira que, involuntariamente, o indivíduo é segregado da sociedade. Dessa maneira, o Estado tem de criar medidas efetivas de combate a tal discriminação.
Portanto, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos - órgão garantidor dos direitos individuais - deve criar, por meio de sua jurisprudência, leis que, de forma rígida, criminalizem o ato da gordofobia, prevendo ao opressor multas. Além disso, nas redes sociais, o Ministério das Comunicações deve criar campanhas para minimizar os efeitos de tais preconceitos. Assim, será possível valorizar, para além da Mesopotâmia, todas as formas físicas.