Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 18/10/2022
De acordo com um levantamento do IBGE (Instituição Brasileira de Geografia e Estatística) de 2019, aumento para mais de 60% o número de brasileiros que sofrem com o sobrepeso e desses cerca de 25% são considerados obesos. Consequentemente, o preconceito, oriundo do início do século XX, quando gordos eram percebidos como indivíduos com problemas morais e mentais, também aumentou e recebeu um nome próprio: Gordofobia, um neologismo de pessoas que tem aversão a outras pelo simples fato de serem gordas.
Dessa maneira, a concepção de saúde, anteriormente associada à corpulência, hoje tem seu significado modificado por novas concepções e crenças acerca do corpo gordo. Assim, muitas vítimas do preconceito desenvolvem outros problemas relacionados, como a anorexia, um transtorno alimentar caracterizado por uma busca insaciável pelo emagrecimento, visando atender os padrões impostos pela sociedade.
Outrossim, sob a ótica da filosofa alemã Hanna Arendt, “o ato preconceituoso passa a ser feito de forma inconsciente quando os indivíduos normalizam a situação”. Dessa forma, no Brasil, onde a Gordofobia é normalizada na maioria da população, ainda que de forma velada, sob a forma de piadas, comentários jocosos e bullying, é um problema que requer uma maior mobilização por parte do coletivo, visando desnaturalizar condutas preconceituosas contra indivíduos acima do peso.
Portanto, são necessárias medidas que atenuem essa problemática. Para isso, cabe ao Estado, através dos Ministérios da Saúde e Educação, em parcerias com instituições de ensino, elaborar campanhas de conscientização, sob a forma de boletins informativos, visando a um melhor entendimento da população sobre causas e consequências do excesso de peso. Ademais, é imprescindível a participação das mídias, sob a forma de debate com especialistas, como psicólogos e médicos. Dessa forma, a população brasileira se tornará mais consciente e menos intolerante entre si.